Emprego sobe à custa dos contratos precários

Dados mostram que há mais 2,76% de empregados a trabalhar por conta de outrém

Ao longo dos 12 meses de 2015, o desemprego recuou em relação ao ano anterior e o emprego foi ganhando espaço. No entanto, o cenário que se tornou real com a crise, de um trabalho a prazo e mal remunerado, mantém-se mesmo agora que a taxa de desemprego passou para 12,2% no fecho do quarto trimestre.

As Estatísticas do Emprego, divulgadas ontem pelo INE, dão conta de um aumento de 2,76% no número de pessoas a trabalhar por conta de outrem - falamos do setor privado.

Dentro desta categoria existem dois tipos de vínculo, um a termo certo, os contratos a prazo, e um sem termo, que dá entrada direta para os quadros das empresas. Mas este segundo está a perder terreno para os contratos a prazo.

Entre dezembro de 2014 e dezembro de 2015, houve um crescimento de 6,66% no número de contratos com termo. Já os contratos sem termo avançaram menos de metade, uns parcos 2,08%.

Também os salários continuam a ser predominantemente baixos. No país onde o ministro das Finanças Mário Centeno disse, em entrevista ao Diário de Notícias e ao Dinheiro Vivo que "quem tem 2000 euros de rendimento tem uma posição privilegiada", o INE confirma.

O salário médio em Portugal é de 828 euros e há quase tantas pessoas a receber menos de 310 euros euros mensais como as que recebem mais de 1800. No fundo, um terço dos trabalhadores portugueses recebe entre 310 euros e 600 euros. Outro terço recebe entre 600 euros e 900 euros.

A restante fatia é justificada pelos que recebem abaixo do limiar da pobreza e dos que recebem mais de 900 euros. Os números são, no entanto, preocupantes. Há 149,4 mil pessoas a receberem um valor de apenas 310 euros por mês, o que fica abaixo do considerado para o limiar da pobreza.

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Catarina Carvalho

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