"Em 2025 os produtos livres de fumo serão 50% da nossa receita líquida"

Estratégia está a ser um sucesso e é só uma questão de quando vai acontecer completamente. Ainda há mil milhões de fumadores em todo o mundo.

A Philip Morris International reiterou, naquela que foi a primeira conferência oficial de Jacek Olczak depois de ter assumido o cargo de Chief Executive Officer da Philip Morris International (PMI), o compromisso de um futuro sem fumo. Embora os cigarros ainda representem o grosso do negócio isso está a mudar rapidamente, com os produtos alternativos, diga-se iQOS, a ganhar adeptos e a valerem cerca de 25% da faturação - dados do ano passado (em 2015 o valor era zero). O objetivo, afirmou o novo CEO da PMI é, em 2025, mais de 50% da receita líquida venha de produtos livres de fumo.

Mas esta visão otimista de um futuro melhor nem sempre foi assim. Jacek Olczak revelou que, quando há 10 anos delinearam a estratégia houve quem pensasse que eram meio loucos e inclusive quando apresentaram o iQOS "quase fomos ostracizados pela indústria". Hoje quase 99% do orçamento em I&D (Investigação e Desenvolvimento) e cerca de 75% das despesas comerciais assentam nos novos produtos - cerca de 500 milhões de euros por ano. Para o CEO da PMI, nesta categoria de produtos, "ninguém se aproxima de nós".

E isto é muito importante, porque Jacek Olczak defende que todas as pessoas deviam ter a informação e o acesso a produtos alternativos aos produtos de combustão - o verdadeiro perigo para a saúde, mais ainda do que a nicotina. Porque, defende, o que faz mal às pessoas é o ato de acender um cigarro. É através desse simples gesto que se dá a queima do material orgânico e, com isso, a inalação de material potencialmente perigoso para a saúde humana.

É aqui que entra o iQOS, como uma alternativa não tão nociva para a saúde, dado que, ao não usar a combustão, reduz em 95% essa mesma inalação e exposição a materiais cancerígenos. Algo que, afirma o CEO da PMI, é confirmado pela ciência, nomeadamente por 15 organismos totalmente independentes. Na opinião de Jacek Olczak a ciência existe, hoje, para suportar que estes produtos oferecem uma melhor alternativa aos produtos de combustão. Aliás, o dispositivo da PMI é, até agora, o único que obteve a aprovação da FDA como produto de tabaco de risco modificado (Modified Risk Tobacco Product, MRTP da sigla em inglês), o que permite a sua comercialização no mercado norte-americano.

Ainda na questão de ser ou não prejudicial para a saúde Jacek Olczak lembrou o que aconteceu no Japão em que, em apenas cinco anos, através da utilziação do iQOS e produtos semelhantes, conseguiu-se inverter a curva de admissões hospitalares devido a casos de doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC).

O iQOS é, atualmente comercializado em 66 países mas, no espaço de menos de cinco anos, Jacek Olczak quer aumentar esse número para 100. O produto, que é (e será) o grande impulsionador da estratégia da empresa para um futuro sem fumo, já tem seis mercados onde domina de forma destacada. O Japão, com 30%, é o mais notório e onde o CEO da PMI acredita que daqui a, talvez, cinco anos, cerca de um terço dos fumadores japoneses deixarão de fumar cigarros. Na Europa o CEO da PMI destacou Atenas, com 22% do mercado, Lisboa com 15%, Roma com quase 19%, entre algumas das capitais onde a empresa focou a sua atenção.

O CEO da PMI aproveitou para salientar o importante papel da Tabaqueira e afirmou que o iQOS tem sido muito bem recebido pelos fumadores portugueses, havendo, neste momento, cerca de 300 mil utilizadores, de um total de 1,7 milhões de fumadores.

Questionado sobre o fim dos cigarros Jacek Olczak revelou que, quando a estratégia começou a ser delineada internamente, há 10 anos, estava cético do sucesso da mesma. Hoje considera que é a realização de um sonho e que a questão é apenas de quando isso acontecerá. É um dado adquirido.

"Apenas podemos debater quanto tempo demorará a conseguirmos isso", afirma. É claro, acrescenta, que haverá países que lidarão o movimento assim como pessoas que necessitarão de alguma intervenção, por exemplo, ao nível da regulamentação. Seja como for o mais importante é o acesso à informação - sobre os produtos alternativos - porque só assim os fumadores poderão tomar decisões informadas.

Esta transformação para um mundo sem fumo não assusta Jacek Olczak. Afinal existem mil milhões de fumadores no mundo. "E que nos manterão ocupados para os próximos anos". O CEO da PMI acredita que, depois de terem sido líderes "incontestáveis" nos cigarros podem repetir o feito na nova categoria.

Independentemente da estratégia da PMI num mundo sem fumo e do seu investimento em produtos alternativos, Jacek Olczak é perentório: a melhor solução para um fumador é deixar de fumar.

dnot@dn.pt

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