Covid-19. 26,7% das empresas despediram ou vão despedir a curto prazo

Associação Industrial Portuguesa fez um inquérito às empresas e admite que o fim do lay-off simplificado possa levar a um "agravamento" nos cortes de pessoal. 6% dos inquiridos admite avançar para a insolvência

Mais de um quarto das empresas, mais precisamente 26,7%, despediram ou vão despedir em consequência da pandemia de covid-19. Os dados são de um inquérito realizado pela Associação Industrial Portuguesa (AIP), que acredita que, com o fim do lay-off simplificado e do diferimento das contribuições e impostos se prevê um "agravamento" deste indicador.

A pesquisa, realizada junto de mais de 1700 entidades, dos mais variados setores de atividade, mostra, ainda, que 6% das empresas preveem avançar para a insolvência e que 21% dos empresários tencionam recorrer a processos de recuperação. Destes, 13% indicam que tencionam aderir ao novo processo extraordinário de viabilização de empresa (PEVE), previsto no Programa de Estabilização Económica e Social. Alojamento e restauração (25%) e transportes e armazenagem (24%) lideram as intenções.

Já 8% dos empresários avalia apresentar um processo especial de revitalização, a maioria dos segmentos dos transportes, do alojamento e restauração e dos serviços, exatamente os mesmos setores, e pela mesma ordem de grandeza nas respostas, que pretendem avançar com a insolvência das respetivas empresas.

O inquérito, realizado entre 22 e 26 de junho, recolheu 1707 respostas, a maioria das quais de empresas de serviços (30,8%), indústria (25,7%) e comércio (22,9%). Em menor número, contribuíram, também, com respostas os setores da construção, alojamento e restauração, transportes e armazenagem e da agricultura e pescas. Em termos de dimensão, as microempresas representam 55,9% dos inquiridos e as pequenas empresas 32,5%. As médias pesam 9,8% e as grandes 1,8%. Do total de inquiridos, 37,3% são empresas exportadoras.

Só um quarto das empresas manteve ou aumentou a faturação nos últimos três meses, por comparação com o período homólogo, com destaque para a construção (50,4%), agricultura (44,4%), serviços (28,6%) e indústria (25,8%).

Em contrapartida, há 35% dos inquiridos que reportam quebras de vendas superiores a 40%, com especial relevância nos segmentos do alojamento e restauração (88,2%) e dos transportes e armazenagem (50%). As empresas de média dimensão são as que estão a registar menores perdas, com apenas 24,4% dos inquiridos a reportarem perdas superiores a 40%. Nas microempresas são 40,5% dos inquiridos a reportá-lo.

Financimento chegou em junho

O mês de junho, destaca a AIP, "marcou a inflexão da banca e da SPGM - Sociedade de Investimento, SA na aprovação de operações e na transferência de financiamento". Mostram os dados do inquérito que, em junho, 72% das operações de financiamento estavam já aprovadas, embora só 52% das empresas tivessem, efetivamente recebido as verbas em causa. A taxa de chumbo é de 8% e 20% dos pedidos aguardavam, ainda, decisão.

O alojamento e a restauração foi o setor que mais recorreu ao financiamento (57%), seguido da indústria (40,2%), agricultura (36,8%), transportes e armazenagem (35,7%), comércio (35,5%), serviços (26,5%) e construção (20,2%).

BCP, Santander, Novo Banco e CGD são os bancos com mais operações aprovadas, sendo, também, os que têm mais pagamentos realizados. Montepio, Nova Banco, BPI e CGD lideram nos chumbos.

O inquérito permite, ainda, perceber que 52% das empresas defendem a prorrogação do diferimento do pagamento das contribuições para a Segurança Social e das obrigações fiscais, em especial dos setores do alojamento e restauração, da indústria e dos serviços. Já 48% quer novas medidas, como a limitação dos pagamentos por conta, o não agravamento da tributação autónoma e o alargamento dos prazos de reporte de prejuízos fiscais. Reclamação liderada pela construção, agricultura e transportes.

A esmagadora maioria dos empresários (81%) concorda com o lay-off como medida para mitigar os efeitos da pandemia

Três quartos dos empresários exigem a reposição do banco de horas individual negociado na empresa, sendo esta pretensão mais notória na agricultura (88,2%), indústria (83,6%) e no alojamento e restauração (82,6%) e transversal à dimensão das entidades em causa.

A esmagadora maioria (81%) concorda com o lay-off como medida para mitigar os efeitos da pandemia, sendo que 77% prefere o lay-off simplificado e só 23% concorda com as novas regras do Programa de Estabilização Económica e Social. Alojamento e restauração, construção e indústria são os maiores apoiantes do lay-off simplificado.

Sobre a redução de postos de trabalho, 26,7% dos inquiridos dizem já ter despedido ou pensar despedir no curto prazo, número que em abril era de 13%, mas que passou a 26% em maio. Apesar das dificuldades, o inquérito da AIP mostra que 89% dos empresários se mantêm avessos a processos de fusão ou a entradas de novos sócios. Mas, como em tudo, há quem admita um redimensionamento da sua empresa. A abertura do capital a novos acionistas é indicada por 13,3% das empresas de serviços, 13% de transportes e armazenagem e 12% das entidades industriais. Dos 16% que admitem vender as suas empresas, 28,6% são do segmento de transportes, 26,5% do alojamento e restauração e 19,7% dos serviços.

Mas há, também, quem queira comprar novas empresas, embora o número seja diminuto: representa, apenas, 4% dos inquiridos, em especial dos setores dos serviços, agricultura e indústria.

Jornalista do Dinheiro Vivo

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