Consumo de televisão sobe 28% com a pandemia de Covid-19

Audiências de televisão aumentaram 28% numa semana, mas não só. Consumo de serviços de streaming e de consola também cresceu.

Tem sido um crescendo de audiências de televisão à medida que os portugueses recolhem a casa para conter a propagação do novo coronavírus no país. Em sete dias, em média mais de 620 mil telespectadores viram televisão, uma subida de 28% face à semana anterior. A semana em que o país declarou o Estado de Emergência por causa do covid-19 foi a que gerou mais audiências este ano. Um momento assistido por um total de mais de 5,1 milhões de portugueses. No domingo 3,1 milhões de telespectadores estiveram colados ao televisor. O consumo de serviços de streaming e de consola também subiu.

"Regista-se um crescimento de audiências à medida que os dias vão passando, com especial destaque para os domingos (15 e 22 de março). Na semana 12, altura em que as escolas encerraram, o consumo televisivo cresceu, tendo atingido o seu pico no domingo, dia em que se registou uma audiência média total de 3,1 milhões de telespectadores, o máximo do ano até ao momento", adianta a Universal McCann (UM), agência de meios do grupo IPG Mediabrands.

As recomendações da Direção-Geral de Saúde para que os portugueses ficassem em casa, combinado com o encerramento das escolas e com as empresas a enviar os colaboradores para casa em teletrabalho está a provocar um pico no consumo de televisão. "Nesta última semana foram mais de 620 mil telespectadores que, em média, assistiram a televisão (aumento de 28% face à semana 11). Até ao momento, a semana 12 foi a que mais audiências registou em 2020, tendo existido um aumento generalizado de audiências em todas as tipologias de canais", refere a UM/IPG Mediabrands.

Quem ganhou?

O crescimento do consumo de conteúdo televisivo é transversal. Os canais generalistas estão a ganhar mais telespectadores, os canais informativos a atingir máximos do ano, mas o item 'outros', categoria que inclui visionamento residual de canais não auditados e outras utilizações do televisor (inclui o streaming e consolas), ganhou uma forte expressão. É o segundo "canal' mais visto.

Com as suas emissões dedicadas ao tema do covid-19, acompanhando ao minuto a evolução do vírus em Portugal e no mundo, os canais com enfoque informativo estão a colher dividendos. "Destaque para a CMTV que nesta última semana alcançou uma audiência média de 172 mil telespectadores, mais 53 mil que na semana anterior e um share de 6,1%", refere a agência de meios do grupo IPG Mediabrands. A SIC Notícias terminou a semana com 117 mil de audiência média e 4,2% de share, TVI 24 com uma média de 71 mil telespectadores e 2,5% de share e a RTP3 com uma audiência média de 29 mil telespectadores e 1% de share.

Os blocos noticiosos nos canais generalistas também beneficiam do interesse dos telespectadores em manterem-se informados sobre a progressão do Covid-19. "Os canais generalistas lideram as audiências nos períodos da hora de almoço e do prime-time. O pico diário de audiências durante o dia (mais de 5,9 milhões de telespectadores médios) dá-se entre as 20h e 21h, momento em que são transmitidos os jornais informativos da noite em vários canais em simultâneo", destaca a UM/IPG Mediabrands.

"Os canais de televisão paga apresentam poucas oscilações durante o dia, mantendo uma curva de audiências estável, contrastando com os canais free-to-air (FTA/sinal aberto), que revelam um incremento de audiências nos períodos em que são transmitidos os noticiários (13 e 20 horas)", refere a agência de meios.

A SIC, que colocou sete programas entre os dez mais vistos na semana passada, mantém a liderança nos canais generalistas. A estação de Paço de Arcos registou mais 101 mil telespectadores médios face à semana anterior, terminando com um share de 19,2%, mas recuando em 0,9 pontos percentuais (p.p.) de share face à semana anterior. O recuo no share, quando a estação ganha mais telespectadores, tem uma explicação. "O share mede a percentagem de tempo que é dedicado por cada indivíduo a visionar um canal/programa relativamente ao tempo total dedicado a ver TV, para o mesmo período", explica fonte oficial da agência de meios. Ou seja, como houve um aumento generalizado de audiências na última semana, os indivíduos que viram televisão dispersaram-se por vários canais.

Nos generalistas, a RTP1 foi o segundo canal mais visto da semana, tendo conseguido captar as atenções de mais 82 mil portugueses face à semana anterior e fechado a semana com um share 12.5% (+0,2 p.p.).

A TVI é o terceiro generalista, tendo na semana passada registado uma subida de 42 mil espectadores, para uma média de 349 mil e um share de 12,4%, mas vendo este item recuar 1,6 p.p. face à semana anterior.

A análise de audiências da UM/IPG Media Brands revela um crescimento expressivo do item Outros. Esta categoria é onde estão agrupados consumos de canais não auditados pelo sistema de medição de audiências da GfK, visionamento de conteúdos gravados vistos a posteriori, bem como de serviços de streaming (como Netflix ou HBO) e de consolas. E na semana passada esse item concentrou a atenção de uma média de 388 mil telespectadores. Foi o segundo 'canal' mais visto, com um share de 13,8%, uma subida de 1,4 p.p. face à semana anterior.

Mais de 5,1 milhões assistiram à declaração do Estado de Emergência

Mais de 5,1 milhões de portugueses assistiram, na quarta-feira passada, à declaração do Estado de Emergência por Marcelo Rebelo de Sousa, o que significa que "85% dos portugueses que estavam a ver televisão naquele momento, sintonizaram-se nos canais que transmitiram a proclamação do Estado de Emergência", destaca a UM/IPG Mediabrands. No Top 20 mais vistos, esse momento surge na quinta posição, tendo 1,6 milhões acompanhado a decisão do Presidente da República através da SIC, gerando um share de 29,2% para a estação.

O formato mais visto da semana foi, no entanto, a entrevista de António Costa. "Considerando a inserção mais vista de cada programa no período em análise, destaque para a entrevista de António Costa no Jornal da Noite da SIC. Este momento conseguiu captar, em media, a atenção de mais de 1,8 milhões de telespectadores, a que correspondeu um share de 33,5%", refere a agência de meios.

A estação de Paço de Arcos colocou sete programas no Top 10 dos mais vistos na semana passada. Logo a seguir à entrevista com o primeiro-ministro surge o programa de Ricardo Araújo Pereira, Isto é Gozar com Quem Trabalha, que manteve, em média, mais de 1,7 milhões de portugueses colados ao ecrã, tendo garantido ao canal um share de 34% durante a sua emissão.

"De realçar que a maioria dos programas mais vistos nestas últimas duas semanas estiveram relacionados com programas que debateram as ações do governo para combater o vírus em Portugal", refere a UM/IPG Media Brands.

Jornalista do Dinheiro Vivo

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