Consórcio chinês prepara OPA sobre a EDP

Maior acionista da EDP, a China Three Gorges avança com operação para reforçar na elétrica. Administração considera a OPA como hostil

Um consórcio chinês, que inclui a empresa estatal chinesa China Three Gorges, que já é a maior acionista institucional da EDP (com uma participação de 23,27%, a que acrescem os 4,98% da CNIC), prepara-se para lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a elétrica portuguesa.

Entretanto, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) ordenou a suspensão da negociação dos títulos da EDP e da EDP Renováveis até à divulgação de informação na sequência da notícia da possível Oferta Pública de Aquisição sobre o grupo.

A notícia é avançada pelo semanário Expresso, que adianta que a operação não deverá sofrer entraves por parte do governo, mas está a ser considerada como hostil - o que significa que é lançada sem o acordo prévio da administração e dos outros acionistas relevantes (participações acima de 2%), que incluem os americanos da Capital Group (12%), os espanhóis da Oppidium Capital (7,15%), o fundo americano Blackrock (5%), a Mubadala de Abu Dhabi (4,06%), o BCP (2,44%) a argelina Sonatrach (2,38%), os fundos de investimento do Qatar e da Noruega (com 2,27% e 2,75%, respetivamente).

Com uma participação que corresponde a mais de 28% dos direitos de voto, os chineses estão a cerca de 5 pontos percentuais da obrigação de lançar uma OPA (quando a fatia ultrapassa um terço da empresa). Recorde-se que nesta manhã, na conference call com os analistas sobre os resultados no primeiro trimestre - que caíram 23% para 166 milhões de euros -, António Mexia assumiu que os lucros do ano atual deverão cair para 800 milhões de euros. Uma diferença que se prende sobretudo com os cortes nas rendas da energia.

O governo decidiu seguir a recomendação da ERSE e cortar o valor negociado com a EDP até 2027 - uma prestação paga pelo Estado à empresa, correspondente à diferença entre o custo real da energia e o valor cobrado aos consumidores na sequência da saída da EDP da esfera pública. São cerca de 102,4 milhões a menos do que o montante que fora apurado pelo grupo de trabalho constituído pela REN - Redes Energéticas Nacionais e pela EDP, que apontava para um valor do ajustamento final desses contratos na ordem dos 256,5 milhões.

A EDP está a considerar levar o Estado a tribunal.

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