Compra do BPI vai pesar nos rácios do CaixaBank 

Grupo espanhol antecipa ser "o maior banco ibérico" com integração do banco português

Os rácios de capital do CaixaBank vão sofrer uma deterioração caso a oferta pública de aquisição (OPA) sobre o BPI tenha sucesso. O banco espanhol fechou 2016 com 13,2% de common equity tier 1 (CET1) transitório, nível de solidez que poderá cair até 11% com a integração do banco português, dependendo da participação com que os espanhóis saírem da OPA.

A projeção para a queda do rácio de capital foi avançada ontem por Gonzalo Gortázar, administrador delegado do grupo catalão, na conferência de apresentação dos resultados de 2016, marcados por um salto de quase 30% nos lucros, que atingiram 1047 milhões de euros. O grupo não superava os mil milhões de lucros desde 2011. Jordi Gual, presidente do banco, justificou ontem a evolução positiva dos resultados com a resistência das receitas core do grupo. "A melhoria da eficiência e da rentabilidade apoiaram-se na elevada capacidade de gerar receitas, na contenção e racionalização da despesa corrente e menos dotações para insolvências."

Com o calendário da OPA sobre o BPI a mostrar menos de uma semana para o final da operação, as respostas sobre a mesma foram escassas ao longo da conferência. Mas mesmo escassas foram suficientes para evidenciar uma inflexão no discurso face ao que é referido pelo CaixaBank no prospeto da oferta. Se neste documento os resultados obtidos nos últimos anos pela gestão do BPI são criticados, sobretudo a nível da eficiência em comparação com os pares ibéricos, ontem só se ouviram elogios a essa mesma gestão.

"Confiamos na administração, que tem feito um ótimo trabalho num enquadramento muito difícil. Em 2017 esperamos ter uma enorme oportunidade para criar valor nas duas entidades", apontou Gortázar, não revelando se é intenção do CaixaBank renomear Fernando Ulrich como CEO do BPI, o que obrigará a alterar os estatutos do banco, que preveem limite de idade para o cargo.

Gortazár manifestou ainda confiança em que a oferta pública de aquisição terminará com sucesso, referindo esperar que esta aquisição ajude o CaixaBank a tornar-se o "maior banco ibérico em dimensão, como já acontece em Espanha".

Em Barcelona, a convite do CaixaBank

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