Combustíveis. ANTRAM diz que "não trabalha sob ameaças"

Associação afirma que hoje não deu respostas aos motoristas porque "não tinha tido acesso" às reivindicações do sindicato.

A Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) apelou ao sindicato dos motoristas de matérias perigosas para que tenha "contenção" antes de avançar para uma nova greve.

A ANTRAM esteve esta segunda-feira reunida com o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), num encontro que resultou num ultimato por parte dos motoristas sobre a possibilidade de ser convocada uma nova greve, caso a ANTRAM não tenha respostas concretas às reivindicações dentro de uma semana.

Pedro Polónio, vice-presidente da ANTRAM, sublinhou no final do encontro que a associação "trabalha com dados objetivos e não sob ameaças de greve".

Questionado sobre o resultado da reunião e as críticas deixadas pelo sindicato à atitude da ANTRAM, o dirigente afirmou que este foi "o primeiro encontro onde nos foi dada a oportunidade de ter acesso de forma detalhada às reivindicações" dos motoristas, já que até ao momento a associação tinha apenas a informação ouvida na comunicação social.

"Hoje ouvimos o sindicato e pensámos no que foi dito. De amanhã a oito dias há uma nova reunião onde vamos tentar continuar as negociações. A ANTRAM hoje não trazia respostas porque não tinha tido acesso à proposta integral", vincou.

O responsável desvalorizou o ultimato do sindicato, afirmando que "foi estabelecido um calendário de negociações até ao final deste ano", e que por isso, "com um calendário de sete meses não se podem querer respostas imediatas".

"É preciso refletir, estamos a falar de custos e de uma atividade muito importante para o país. As empresas têm margens muito apertadas, tudo isto tem de ser bem falado com os nossos associados. Foi isso que foi pedido, alguma contenção".

Sobre as reivindicações do sindicato, a ANTRAM diz que poderá aceitar "o que é fazível, o que o mercado consegue acomodar, o que faz sentido até em termos relacionais com outras empresas e outros motoristas". Até porque, acrescentou, "não existem apenas motoristas de matérias perigosas, são todos motoristas. Admitimos que haja alguma diferenciação, que já existe hoje aliás, e admitimos que possa sofrer algum reforço. Mas por uma questão de justiça entre os pares não pode haver um tratamento tão desproporcional".

Pedro Polónio destacou que a associação "não está nem dececionada nem ambiciosa, nem muito ou pouco confiante" para o futuro das negociações.

As negociações continuam no próximo dia 7 de maio e caso a ANTRAM não aceite as reivindicações do sindicato, poderá haver nova paralisação dos motoristas que transportam combustíveis.

Jornalistas do Dinheiro Vivo

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