CIP anuncia que 19% das empresas prevê aumentar postos de trabalho até final do ano

De acordo com os dados de um inquérito apresentado pela CIP, existe uma expectativa de manutenção do número de postos de trabalho e um maior número de empresas que espera aumentar, face às que esperam diminuir". 21% das empresas inquiridas consideram que "já se atingiu uma atividade semelhante ao período antes da pandemia".

A grande maioria das empresas (73%) espera manter postos de trabalho até final do ano e quase um quinto (19%) prevê aumentar, com destaque para grandes e médias empresas, segundo dados de um inquérito apresentado esta segunda-feira pela CIP.

Este é um dos resultados do 17.º inquérito realizado no âmbito do projeto "Sinais Vitais", desenvolvido pela CIP - Confederação Empresarial de Portugal, em parceria com o Marketing FutureCast Lab do ISCTE, que conta com uma amostra de 355 empresas, das quais a maioria (47%) é do setor da indústria e energia, de outros serviços (22%), do comércio (15%) e da construção e atividades imobiliárias (5%).

O estudo refere que "em todas as empresas - grandes, médias, pequenas e micro - existe uma expectativa de manutenção do número de postos de trabalho e um maior número de empresas que espera aumentar, face às que esperam diminuir".

"Em linha com os resultados dos meses anteriores, 92% dos empresários assumem que vão manter ou vão aumentar o quadro de pessoal existente", enfatizou o dirigente da CIP Óscar Gaspar, durante a apresentação do documento.

Segundo o estudo, em média, 73% das empresas que responderam ao inquérito realizado este mês preveem manter os postos de trabalho até final do ano, enquanto 19% esperam aumentar e 8% reduzir, sendo que nas grandes e nas médias a expectativa de aumento do número de postos de trabalho é superior à média nacional, com 32% e 34%, respetivamente.

Por outro lado, 7% das grandes empresas e 13% das médias empresas responderam que deverão reduzir o seu número de trabalhadores.

Já as pequenas empresas, 17% esperam aumentar os seus recursos humanos e 6% diminuir, enquanto essas percentagens correspondem a 11% e a 6% nas micro empresas, respetivamente.

Tendo em conta a média nacional, as empresas que preveem diminuir postos de trabalho (8%) esperam uma queda média de 16%, uma percentagem inferior à do mês anterior (21%).

As empresas que esperam aumentar recursos humanos (19%) esperam um acréscimo médio de 13%, o que significa um ligeiro acréscimo em relação ao do mês anterior (12%).

O estudo mostra ainda que "as expectativas de vendas das empresas respondentes até ao final de 2021 é negativa face ao mesmo período de 2019", período anterior à pandemia de covid-19, com 35% a esperarem uma diminuição e 26% das empresas a esperarem um crescimento.

Esta perspetiva negativa é sobretudo verificada nas grandes empresas (43%) e nas micro (36%).

Nas grandes empresas, a expectativa de crescimento é verificada em 29% das empresas, o que representa uma evolução negativa em relação a junho (40%).

Por seu lado, as empresas que preveem diminuir vendas (35%) anteveem uma queda média de 31% até final do ano, o que é um valor menor do que no mês de junho (34%).

As empresas que preveem aumentar vendas (33%) esperam um acréscimo médio de 25%, uma subida em relação a junho (22%).

Em termos de investimento, "as expectativas melhoram em relação a junho", com 25% das empresas a considerarem investir mais do que em 2019, enquanto 23% indicaram uma diminuição e 52% uma manutenção, indica o documento.

Com diminuições no investimento acima da média estão as grandes empresas (47%).

O barómetro mostra, por sua vez, que o número de empresas em pleno funcionamento em setembro aumentou em relação a junho, de 85% para 95%.

"Praticamente temos outra vez a economia a funcionar e esta é uma boa novidade", disse Óscar Gaspar.

"Estamos longe do final do primeiro semestre do ano passado, quando cerca de 60% das empresas estavam a laborar e 40% com dificuldades em retomar a atividade", acrescentou o dirigente da CIP.

Um quinto das empresas já tem atividade semelhante a antes da pandemia

Mais de um quinto das empresas (21%) já atingiu um nível de atividade semelhante ao que tinha antes da pandemia de covid-19, segundo um inquérito divulgado hoje pela CIP - Confederação Empresarial de Portugal.

Apesar de as expectativas quanto à recuperação da atividade variar de setor para setor, o estudo destaca que 21% das empresas inquiridas consideram que "já se atingiu uma atividade semelhante ao período antes da pandemia".

"Já há mais empresas a sentir a retoma da atividade e, portanto, finalmente, passado um ano e meio, a atividade económica começa a mexer-se e há expectativas que possamos atingir o nível de pré-pandemia", realçou o dirigente da CIP Óscar Gaspar, durante a apresentação do documento.

O estudo indica também, por outro lado, que apenas 10% das empresas consideram que a recuperação se dará até ao final de 2021, enquanto 30% acreditam que a recuperação só acontecerá em 2022, 17% em 2023 e 6% depois desse ano.

Óscar Gaspar destacou, por outro lado, que a opinião dos empresários face aos programas de apoio públicos agravou-se este mês, com 82% das empresas a considerarem que estão aquém ou muito aquém do que necessitam (contra 79% em junho).

Quanto ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), 60% dos empresários inquiridos consideram que não terá significado para a atividade da sua empresa, com 10% a considerarem que pode ser significativo e 2% muito significativo.

"Esta é uma preocupação enorme", sublinhou Óscar Gaspar, acrescentando que "aquilo que os empresários sentem é que o PRR não lhes diz respeito".

Segundo o dirigente da CIP, a nota de atualização do PRR sobre a percentagem de contratualização mostra que os contratos realizados até agora abrangeram "zero empresas".

"O que vemos é que há uma contratualização com as entidades públicas", afirmou Óscar Gaspar.

Os resultados do barómetro da CIP revelam ainda que 36% das empresas se candidataram a apoios do Estado nos últimos três meses e 64% não se candidataram, sendo que 80% responderam que a sua candidatura foi aprovada e 77% já receberam o apoio.

O número de empresas respondentes em pleno funcionamento aumentou em relação a junho de 85% para 95%, as empresas fechadas mantêm-se em 1%, tendo igualmente diminuído a percentagem de empresas parcialmente encerradas de 14% para 4%, indica o documento.

Por sua vez, 38% das empresas registaram em agosto uma redução de vendas e prestações de serviços face ao mesmo mês de 2019, enquanto 31% mantiveram e 31% aumentaram.

A queda de vendas e prestação de serviços em agosto afetou sobretudo as grandes empresas (47%), as médias (42%) e as micro empresas (39%), mas registou-se uma melhoria face aos valores médios de junho (46% a diminuir e 25% a aumentar).

Face ao período anterior à pandemia, as encomendas em carteira "diminuíram em muito mais empresas do que aquelas em que estão a aumentar (27% versus 21%)", mas face a junho, assistiu-se "a uma ligeira melhoria deste indicador" em setembro.

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