Centros comerciais. Vendas estão 13% acima dos valores pré-pandemia

Artigos desportivos ou sapatarias entre os mais procurados na reabertura dos shoppings. Salas de cinema recuam 85%

Na primeira semana de reabertura dos centros comerciais, as vendas subiram 13% acima de valores pré-pandemia, com os negócios de artigos desportivos e sapataria a serem os mais beneficiados pela procura dos consumidores, segundo dados da RedUniq, que contabiliza pagamentos feitos em cartão eletrónico. Dados "encorajadores", para Rodrigo Moita de Deus, CEO da Associação Portuguesa de Centros Comerciais (APCC), mas que devem ser "lidos com rigor e detalhe", alerta, por seu lado, Miguel Pina Martins. A covid alterou o comportamento dos consumidores e há mais pagamentos através de meios eletrónicos, ressalva o presidente da Associação de Marcas de Retalho e Restauração (AMRR).

A corrida às lojas no dia da reabertura dos centros comerciais levou a um disparo de 25% das vendas acima de valores médios em abril antes da pandemia. Nos dias seguintes - de segunda a sexta-feira - a procura dos consumidores manteve-se, tendo levado a uma subida de 13% das vendas. Mas nem todos os lojistas beneficiaram desta tendência. A balança pesou positivamente para os negócios de artigos desportivos, que subiram 80% as vendas na comparação com a média de abril de 2019, bem como as sapatarias (+42%), as perfumarias (+35%), as ourivesarias (+29%) e o pronto-a-vestir (+4%).

E a restauração - que até à reabertura funcionava apenas em regime de entregas em casa - também conseguiu uma recuperação. Se no primeiro dia da reabertura registava uma quebra de 7%, no acumular da semana até sexta-feira voltou ao positivo: um aumento de 15% das transações. Já os supermercados entro dos shoppings continuaram em queda no acumulado da semana - menos 7% - a par dos cinemas que, apesar da reabertura das salas, recuaram 85% face a 2019, revelam os dados do RedUniq Insights.

"A APCC está satisfeita com o excelente regresso às compras, não deixando de notar que o mesmo foi muito condicionado pelas regras instituídas (como os rácios de pessoas por metro quadrado e os horários)", diz ainda Rodrigo Moita de Deus. "Os dados da RedUniq são encorajadores para o setor e evidenciam a grande vontade que os consumidores tinham de regressar à segurança das compras nos centros comerciais", reforça o responsável da associação que representa 93 conjuntos comerciais, que integram 8.600 lojas, como o Centro Colombo, NorteShopping, os centros Alegro, Fórum Almada ou Amoreiras Shopping.

Mas Miguel Pina Martins não se mostra tão otimista. "Os dados apresentados pela RedUniq devem ser lidos com rigor e detalhe, pois não é possível extrair qualquer conclusão sobre a comparação da primeira semana de reabertura quando se retiram desses dados os dois dias do fim-de-semana, nos quais os lojistas tiveram perdas avultadas, desde logo porque tiveram de encerrar às 13h quando, em 2019, poderiam encerrar à meia-noite", aponta o presidente da AMRR. "O comportamento dos consumidores alterou-se, levando a que atualmente se verifique a preferência pelos pagamentos através de meios eletrónicos", acrescenta.

"Ao longo do último ano, a generalidade das lojas esteve encerrada durante seis meses e durante o restante período encontra-se limitada em horários e lotação. Em especial em 2021, a AMRR volta a apelar aos agentes políticos que não façam de conta que não existiu um segundo confinamento. "Existiu e foram três longos meses, com faturação zero e com exigência de pagamentos de 60% das rendas, a que acresce vários outros custos fixos para a maioria dos estabelecimentos dos centros comerciais, o que representa dezenas de milhares de euros exigidos para zero euros faturados neste período. Isto não é equilibrado nem sustentável", considera o presidente da AMRR.

Ana Marcela é jornalista do Dinheiro Vivo

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