Centeno diz que não combater inflação não é opção para o BCE

O "combate à inflação não é um exclusivo dos bancos centrais", defendeu Mário Centeno, governador do Banco de Portugal.

O governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, defendeu que não combater a inflação através de aumentos das taxas de juro não é uma opção para o Banco Central Europeu (BCE) e que teria "um custo recessivo maior".

"(...) A taxa de inflação está aí, ela tem de ser reduzida, a política monetária tem uma grande obrigação nesse domínio e não podemos desbaratar nem a credibilidade nem a oportunidade de a política monetária agir. Se o fizéssemos, o contrafactual, a alternativa que seria manter taxas de inflação elevadas, mesmo que sejam em parte justificadas pela guerra, tem um custo recessivo maior do que aquele que o aumento das taxas de juro provoca", defendeu Centeno, antigo ministro das Finanças, em entrevista ao Público.

Centeno recordou ainda que o "combate à inflação não é um exclusivo dos bancos centrais".

"É a grande função dos bancos centrais, mas, se ela for conduzida contra as restantes políticas ou contra os desenvolvimentos económicos, não vai ter sucesso", sentenciou o governador do Banco de Portugal.

Em 29 de outubro, o primeiro-ministro, António Costa insistiu na necessidade de o BCE ser prudente na linha de "normalização da política monetária" para combater a inflação, advertindo que uma recessão agravará a situação social na Europa.

No dia 24 do mesmo mês, o conselho de governadores do BCE decidiu aumentar em 75 pontos base as taxas de juro de referência na zona euro - o segundo aumento seguido desta dimensão depois da subida de setembro (e de 50 pontos em julho), elevando a taxa dos depósitos para 1,5% e a taxa de refinanciamento para 2%, o nível mais elevado desde julho de 2008.

"O BCE é independente [dos governos] e devemos respeitar essa independência, o que não quer dizer que não tenhamos uma opinião sobre a matéria", declarou António Costa, durante uma conferência de imprensa conjunta com a primeira-ministra francesa, Elisabeth Borne, no Palácio Foz, em Lisboa.

O Presidente da República defendeu no dia 27 de outubro que o Banco Central Europeu (BCE) deve reponderar até ao fim deste ano a "subida em galope das taxas de juro", que considerou poder ser a opção errada na atual conjuntura.

"Vale a pena pensar, e pensar o mais próximo possível, se é de continuar este galope, porque pode ser a maneira não certa, não correta de resolver o problema, nem o da inflação, nem o do crescimento económico", afirmou então Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

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