Brexit penaliza economia mundial que deverá crescer 3,1% este ano

Reino Unido é o país que mais sofre uma revisão em baixa acentuada. Projeção para a zona euro foi revista ligeiramente em alta para 2016, mas 2017 não segue esta tendência

O FMI reviu hoje em baixa as projeções de crescimento para a economia global, esperando que o PIB mundial cresça 3,1% este ano e 3,4% no próximo, em resultado da saída do Reino Unido da União Europeia.

Na atualização ao 'World Economic Outlook' hoje publicada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou em 0,1 pontos percentuais a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial tanto em 2016 como em 2017, uma revisão que se deveu ao desempenho esperado das economias desenvolvidas.

A instituição liderada por Christine Lagarde cortou as projeções de crescimento do conjunto das economias desenvolvidas para os 1,8% em 2016 e em 2017 (-0,1 pontos este ano e -0,2 pontos no próximo).

Já a previsão para as economias emergentes manteve-se inalterada, continuando o Fundo a esperar que estes mercados cresçam 4,1% em 2016 e que acelerem o ritmo de crescimento para os 4,6% em 2017.

Dentro das economias desenvolvidas, o Reino Unido é o país que sofre uma revisão em baixa mais acentuada: o FMI prevê um crescimento de 1,7% este ano (-0,2 pontos) que deverá desacelerar para os 1,3% no próximo (-0,9 pontos).

Quanto à zona euro, a projeção foi revista ligeiramente em alta para 2016, tendo em conta os desenvolvimentos positivos da primeira metade do ano, mas foi revista em baixa para 2017: o FMI antecipa que os países do euro no seu conjunto cresçam 1,6% este ano (+0,1 pontos) e 1,4% no próximo (-0,2 pontos).

Nesta atualização, em que são atualizadas apenas as projeções das quatro maiores economias do euro, o Fundo prevê que a Alemanha cresça 1,6% este ano (+0,1 pontos) e 1,2% para o ano (-0,4 pontos) e que a França cresça 1,5% em 2016 (+0,4 pontos) e 1,2% em 2017 (-0,1 pontos).

Já as projeções para Itália foram pioradas para os dois anos em 0,1 pontos respetivamente, para os 0,9% em 2016 e para 1% em 2017. Espanha, por seu lado, deverá ser a economia com maior crescimento, antecipando o FMI que o PIB espanhol aumente 2,6% este ano (a mesma projeção de há três meses) e 2,1% no próximo (-0,2 pontos).

Ainda dentro das economias desenvolvidas mas fora da UE, o Fundo espera que os Estados Unidos cresçam 2,2% em 2016 (-0,2 pontos) e 2,5% em 2017 (o mesmo valor antecipado em abril) e que o Japão cresça 0,3% este ano e 0,1% no próximo, uma revisão em baixa de 0,2 pontos em cada um dos anos.

No relatório, o FMI escreve que "o resultado do referendo no Reino Unido, que surpreendeu os mercados financeiros globais, implica a materialização de um risco descendente importante para a economia mundial", o que tem como consequência piores perspetivas económicas para 2016-2017, apesar do desempenho melhor do que o esperado no início de 2016.

O FMI argumenta ainda que piorou as suas expectativas devido ao "aumento considerável da incerteza, incluindo na frente política", alertando que esta incerteza poderá penalizar a confiança e o investimento.

Ainda assim, as projeções hoje apresentadas consideram "a assunção benigna" de que há uma redução gradual da incerteza, que há acordos entre o Reino Unido e a União Europeia que impedem um aumento das barreiras comerciais, que garantem que não há uma disrupção grande nos mercados financeiros e que as consequências políticas do 'Brexit' são limitadas.

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