Primeira pausa em 16 meses. BCE mantém taxas de juro nos 4,5%

Banco Central europeu congratula-se com o facto de esta política de aperto "estar cada vez mais a atenuar a procura, ajudando, desse modo, a reduzir a inflação".
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As taxas de juro da Zona Euro (definidas pelo BCE - Banco Central Europeu) ficaram, esta quinta-feira, finalmente estabilizadas em máximos de sempre, isto após um ciclo de subidas muito agressivo, que fez disparar a taxa de refinanciamento (que durante seis anos, até ao final de junho de 2022, esteve em 0%) para os atuais 4,5%. Foi na reunião de julho do ano passado que o BCE inaugurou este ciclo histórico de aperto monetário.

Este tour de force durou 16 meses, mas agora, que a economia começa finalmente a vacilar, o ciclo parece ter terminado, ainda que de forma não definitiva. O BCE ainda não se atravessa ou compromete com nada, tal é a incerteza que paira sobre a economia e a inflação.

Este mês de outubro ainda foi todo abrangido pela subida decretada na reunião passada e a decisão de hoje entrará em vigor apenas no início de novembro, daqui a uma semana.

Da mesma forma, este movimento também aconteceu na taxa mais relevante para os bancos que se financiam junto do BCE (a taxa de depósito), que passou de um valor negativo (-0,5% em junho de 2022 para os atuais 4%, também aqui um recorde desde que a Zona Euro foi fundada, no final dos anos 90 do século passado) para os atuais 4%. Em novembro, este valor não aumentará, segundo o que hoje foi decidido.

O conselho do BCE, que reúne todos os governadores dos bancos centrais nacionais, deliberou que "a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento e as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito permanecerão inalteradas em 4,5%, 4,75% e 4%, respetivamente".

A partir de Atenas, onde decorreu a reunião extraordinária de taxas de juro no âmbito de um género de roteiro para a descentralização do BCE, que está permanentemente radicado em Frankfurt, na Alemanha, Lagarde argumentou que "a informação que tem vindo a ser disponibilizada confirmou amplamente a anterior avaliação das perspetivas de inflação a médio prazo".

Ou seja, "ainda se espera que a inflação permaneça demasiado elevada durante demasiado tempo, e as pressões internas sobre os preços permanecem fortes".

No entanto, "a inflação desceu consideravelmente em setembro, incluindo devido a fortes efeitos de base, e a maioria das medidas da inflação subjacente continuou a abrandar".

E, seja como for, "os anteriores aumentos das taxas de juro decididos pelo conselho do BCE continuam a ser transmitidos de forma vigorosa às condições de financiamento", ou seja, o crédito bancário está a fraquejar de forma notória, de tão caro que ficou, de repente, ao longo destes meses, condicionamento fortemente as condições de vida de milhões de famílias e complicando já os planos de investimento de muitas empresas na zona euro.

Assim, o BCE congratula-se com o facto de esta política de aperto "estar cada vez mais a atenuar a procura, ajudando, desse modo, a reduzir a inflação".

Notícia em atualização em Dinheiro Vivo

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