BCE adia prazo para começar a subir taxas de juro

Os economistas já antecipavam que Mario Draghi tivesse de deixar os juros em mínimos por mais tempo.

O Banco Central Europeu (BCE) voltou a adiar a data em que espera que as taxas de juro comecem a subir. A entidade liderada por ​​​​​​​Mario Draghi indicou esta quinta-feira que "espera agora que as taxas de juro diretoras do BCE se mantenham nos níveis atuais, pelo menos, até durante o primeiro semestre de 2020 e, em qualquer caso, enquanto for necessário para assegurar a continuação da convergência sustentada da inflação no sentido de níveis abaixo, mas próximo, de 2% no médio prazo".

A indicação dada anteriormente pelo BCE era que os juros poderiam começar a subir no final deste ano. A taxa de referência do banco central está num mínimo histórico de 0% e o juro que a autoridade monetária aplica às instituições financeiras para receber depósitos é de -0,40%. Estes valores mínimos e negativos, que penalizam os bancos que queiram guardar liquidez, justificam-se para assegurar que existe dinheiro barato na zona euro de forma a estimular os empréstimos e a economia.

Mas apesar de anos com as taxas em níveis mínimos e com o apoio de outras medidas não convencionais, como o programa de compra de ativos, a inflação da zona euro teima em não ir para os valores pretendidos pelo BCE. O banco central tem como missão que a evolução dos preços fique perto mas abaixo de 2%.

Em maio, a taxa de inflação desceu para 1,2%. No mês anterior tinha sido de 1,7%. Pior, a ideia defendida por Draghi de que com o tempo a inflação suba para perto de 2% está a ser colocada em causa. As expectativas para a inflação são cada vez mais baixas devido aos sinais de fraqueza da economia do euro. Isso levou os economistas a antecipar que o BCE tivesse de indicar um novo adiamento da subida de juros na reunião desta quinta-feira.

"A maior parte das métricas de mercado [para as expectativas de inflação] continua a descer e estão agora em níveis baixos", salientavam os economistas do Morgan Stanley, num relatório a que o Dinheiro Vivo teve acesso. Consideravam que "isso irá, provavelmente, aumentar a consciência do Conselho de Governadores de que, a dada altura, serão necessários estímulos extra".

Nova renda de empréstimos para a banca

Além de juros baixos por mais tempo, o BCE vai fazer mais uma ronda de empréstimos à banca da zona euro, numa nova "série de operações de refinanciamento de prazo alargado direcionadas trimestrais" (TLTRO, na sigla em inglês). O objetivo é que as instituições financeiras que recorrem ao dinheiro barato do BCE depois o retransmitam para a economia real em empréstimos a empresas e famílias.

"O Conselho do BCE decidiu que a taxa de juro de cada operação será fixada num nível situado 10 pontos base acima da média da taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento do Eurosistema ao longo do período de duração da TLTRO direcionada correspondente", diz o banco central no comunicado sobre as decisões de política monetária. Os bancos que concedam um maior volume de crédito terão condições ainda mais favoráveis.

Rui Barroso é jornalista do Dinheiro Vivo

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