Banif: a última gota na chuva de críticas a Carlos Costa

As críticas ao governador do Banco de Portugal aumentaram depois da resolução do segundo banco num espaço de 18 meses

Num ano e meio, dois bancos intervencionados pelo Estado. No meio, o governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, vai sendo cada vez mais responsabilizado pelas resoluções encontradas para o Banco Espírito Santo (BES) e para o Banif, que acarretam custos potenciais de seis mil milhões de euros para o Estado.

As últimas críticas - e as mais duras - foram deixadas por Jorge Tomé: "O BdP defende-se muito com as instâncias europeias. Temos de deixar de nos esconder atrás dos biombos das autoridades europeias." O antigo presidente do Banif falava em entrevista à SIC Notícias e reconheceu que "há regras e Portugal tem de ser cumpridor", mas sublinhou que "há sempre espaço para negociar". Por isso, defende que devia fazer-se uma auditoria ao BdP e ao processo de venda (que foi feita num contexto "estranho" e teve "um resultado desastroso") e de resolução do Banif, a fim de "comparar as alternativas". Até porque o vencedor, o Santander, "escolheu os melhores ativos ao preço que quis".

Mas antes de Tomé levantaram-se vozes mais inesperadas contra Carlos Costa. Foi o caso de Maria Luís Albuquerque, que, em entrevista à TVI, reconheceu que "há claramente um problema de supervisão, que se manifestou nos vários problemas do setor financeiro". A antiga ministra das Finanças - que reconduziu Costa no BdP- assegurou que não tem "nenhuma razão para retirar a confiança ao governador", mas não quis comprometer-se. "Não conheço os desenvolvimentos das últimas semanas", disse, assumindo-se incapaz de avaliar se os montantes injetados no banco "são absolutamente indispensáveis ou se havia outras soluções.

Mesmo dentro do BdP, haverá algum desconforto. Segundo o Expresso, o vice-governador António Varela, também ex-administrador do Banif, saiu no momento em que foi decidida a resolução. O semanário escreve que o modelo de fecho e venda "não recolhia o agrado de todos". Um dia depois, o BdP negou, em comunicado, a existência de "divisões na administração do BdP na tomada de decisões sobre o Banif".

Já no ano passado, quando o BES colapsou, tinha sido a vez de António Costa, na altura opositor do governo de Passos Coelho. O agora primeiro--ministro acusou Carlos Costa de ter sido "muito imprudente" na forma como acompanhou o Grupo Espírito Santo.

É sob esta chuva de críticas que Carlos Costa vai ser ouvido: PS, PCP e BE vão avançar com uma comissão de inquérito à atuação do BdP e do anterior governo no caso Banif.

Estado injeta seis mil milhões

O início do fim do Banif foi no dia 16, quando o Banco Central Europeu (BCE) avisou que o banco ia perder o estatuto de contraparte - o que significava que ia deixar de ter acesso a financiamento europeu. No dia 20, o BdP anunciou a resolução: o Santander ficou com a parte boa do Banif, desembolsando 150 milhões de euros, e o Estado entrou com 2,255 mil milhões para cobrir contingências futuras, dos quais 489 milhões vieram do Fundo de Resolução e 1,766 mil milhões diretamente do Estado. Isto depois de em agosto do ano passado o Novo Banco, a parte boa do BES, ter recebido uma injeção de 4,9 mil milhões: 3,9 mil milhões diretamente do Estado e o restante resultante de um empréstimo feito pela banca e de capitais do Fundo de Resolução (que é gerido pelo BdP). Contas feitas, o Estado teve de desembolsar 6,1 mil milhões pelo BES e pelo Banif.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG