Banco de Portugal obriga Montepio a aumentar capital

O supervisor exigiu que o Montepio aumentasse o capital em 250 milhões, já que a instituição não concluiu a tempo medidas que poderiam ter evitado a operação.

O Banco de Portugal exigiu mas o Montepio não cumpriu na data acordada (até 30 de Junho) as obrigações impostas pelo supervisor para evitar o aumento de capital, Por isso, agora, a Caixa Económica Montepio Geral teve de injetar dinheiro no banco para fazer face aos requisitos de solidez definidos de acordo com as regras de supervisão europeia, avança o Jornal de Negócios na edição desta segunda-feira.

Porém, na prática, não houve entrada de dinheiro vivo na Caixa Económica do Montepio, porque os 250 milhões que permitiriam aumentar o capital da instituição já estavam investidos em obrigações de curto prazo. Ou seja: a Associação Mutualista do Montepio Geral transformou dívida de curto prazo em capital de instituição liderada por José Félix Morgado.

Desde o início deste ano que a caixa económica sabia que tinha de aumentar o rácio de capital para mais de 12,25% até final de Junho.No entanto, esta meta poderia ser alcançada com a adoção de medidas destinadas a diminuir o risco da instituição. Em causa está a transformação da caixa económica em sociedade anónima, a redução da exposição a Angola e Moçambique, a venda de 1.000 milhões de créditos e a execução do plano de alienação de imóveis. A instituição liderada por Félix Morgado avançou com a concretização destas medidas mas o BdP não as considerou suficientes na avaliação do cumprimento das exigências de solidez. Por isso fez esta imposição.