Banco de Portugal não foi contactado antes da notícia da TVI

Carlos Costa afirmou que não teve conhecimento da notícia da TVI sobre o Banif até à sua divulgação

O governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, disse hoje que a entidade que lidera não foi contactada nem "antes nem durante" a notícia de 13 de dezembro da TVI sobre o Banif.

"O BdP não foi contactado antes nem durante" o desenvolvimento da notícia, vincou Carlos Costa, que está hoje a ser ouvido pela terceira vez na comissão parlamentar de inquérito sobre o Banif.

Em maio, o diretor de informação da TVI, Sérgio Figueiredo, disse aos deputados que "antes, durante e depois, seguramente todas as partes foram confrontadas na noite de domingo ao longo do processo de informação", embora o responsável - que não esteve nos estúdios da TVI nessa noite - tenha assumido não conseguir precisar a ordem dos contactos.

A TVI noticiou em 13 de dezembro de 2015 (um domingo à noite) que o Banif ia ser alvo de uma medida de resolução. A notícia terá precipitado a corrida aos depósitos, cuja fuga foi próxima de mil milhões de euros na semana seguinte, segundo revelaram no parlamento vários responsáveis.

O diretor de informação da TVI revelou no parlamento, quando foi ouvido na comissão de inquérito, que uma carta enviada pelo BdP para o Ministério das Finanças foi a "peça mais importante" para a elaboração e publicação da notícia sobre a resolução do Banif.

Hoje, o governador do banco central manifestou ter "plena confiança" nos seus colaboradores, acrescentando que havia um "núcleo muito restrito de pessoas" a trabalhar em torno do Banif.

"Tenho plena confiança que não houve nenhuma fuga de informação", vincou, acrescentando que a missiva em causa foi enviada por correio eletrónico na madrugada desse dia 13 - antes, portanto, da notícia da TVI - e chegou por via formal na segunda-feira, dia 14.

Esta não foi contudo "a única carta sensível trocada entre o BdP e o Ministério das Finanças" sobre o Banif, acrescentou o governador.

Em 20 de dezembro de 2015, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros ativos - incluindo 'tóxicos' - para a nova sociedade veículo.

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