Baixa nos combustíveis só durou quatro semanas

Gasóleo vai subir meio cêntimo por litro a partir de segunda-feira, a gasolina deve manter-se inalterada. Quebras consecutivas trouxeram alguma poupança ao consumidor

Ao fim de quatro semanas consecutivas de baixa nos preços finais dos combustíveis, os consumidores podem preparar-se para uma desaceleração da tendência. O gasóleo, cujo versão simples está a custar em média 1,178 euros por litro, deverá subir meio cêntimo a partir de segunda-feira, enquanto a gasolina deverá manter o custo médio de 1,414 euros por litro. A recuperação de 5% no valor do petróleo ao longo desta última semana - a par com a subida da cotação dos produtos refinados - só não é mais gravosa para o consumidor devido à quebra do dólar face ao euro.

Nem tudo é mau. As quatro semanas consecutivas da baixa de preços, iniciada logo no início de junho, trouxe uma ligeira poupança. No dia 29 de maio, eram precisos 72,7 euros para encher um depósito de 50 litros com gasolina. Na última segunda-feira, dia 26, o mesmo depósito custava 71 euros, isto é, menos 1,7 euros. No caso do gasóleo, o combustível mais usado em Portugal, a poupança foi de 2,15 euros para um depósito com a mesma capacidade.

A queda abrupta do petróleo começou a 25 de maio, isto é, há cinco semanas. Nessa data, a OPEP e outros grandes produtores de petróleo, como a Rússia, responsáveis por mais de metade da oferta petrolífera mundial, decidiram prolongar por nove meses, até março de 2018, os cortes na oferta em vigor desde janeiro.

O mercado pareceu desiludido com tão escasso prolongamento dos cortes e a cotação do petróleo Brent, tal como a do norte-americano WTI, caiu a pique nas semanas seguintes, sendo entretanto empurrado ainda mais para baixo por outras notícias que foram surgindo, nomeadamente as que diziam respeito ao aumento das reservas de petróleo e de gasolina nos EUA. As notícias mais recentes deram conta precisamente de uma inversão na dimensão das reservas e o petróleo reanimou, travando a tendência de quebra nos preços que tem beneficiado o consumidor final.

Recuando a junho de 2014, constata-se que a cotação do petróleo estava nos 111,80 dólares por barril (média mensal), estando agora em torno dos 47 dólares, isto é, menos 57%. Há três anos, a gasolina custava ao consumidor 1,5792 euros por litro e agora a média mensal de preços está em 1,435 euros, menos 9,13%. O preço do gasóleo é agora 11,44% mais baixo do que em junho de 2014. Ou seja, a amplitude da queda do petróleo nunca é proporcionalmente refletida no produto final.

Em primeiro lugar, há que ter em conta que o peso da cotação, incluindo-se aqui a margem de refinação, pesa apenas 26% no preço final da gasolina e 30,6% no caso do gasóleo. Mais de metade do preço dos dois combustíveis diz respeito a impostos (IVA e ISP), acrescentando-se as margens relativas à armazenagem, distribuição, comercialização e custo com a incorporação de biocombustível.

Por outro lado, o petróleo é comprado em dólares e quanto mais forte o euro, maior será a poupança para países da moeda única (infográfico reproduz cotação do petróleo em euros por litro). Adicionalmente, as petrolíferas olham para a cotação internacional do gasóleo e da gasolina e não diretamente para o petróleo Brent.

"O mercado petrolífero é caracterizado por uma grande volatilidade. Houve nesta semana uma ligeira subida e um reforço do euro face ao dólar. Mas às vezes o mercado internacional dos produtos refinados não anda em simultâneo com a cotação do petróleo", refere António Comprido, secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas. "Quanto à descida do petróleo, essa nunca pode ser igual à dos combustíveis, tendo em conta o peso do produto no preço final", sublinha.

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