Autoeuropa recua na contratação de mais 400 trabalhadores

Fábrica de Palmela vai avançar com novo turno, depois das férias de agosto, mas com a prata da casa.

A Autoeuropa vai criar uma quarta equipa para garantir, depois das férias de agosto, a laboração aos fins de semana. Mas a fábrica de Palmela, que tinha admitido precisar de mais 400 trabalhadores para responder às encomendas do T-Roc, põe travão a novas contratações e vai recorrer apenas à prata da casa. A administração admite apenas fazer contratações pontuais. A comissão de trabalhadores está à espera que, depois de terça-feira, seja convocada uma reunião para negociar os novos horários.

"Estamos a avaliar as necessidades de pessoal. Se for necessário, haverá novo processo de recrutamento", afirma fonte oficial da Autoeuropa. Mas a injeção de novos recursos humanos será sempre pouco significativa: apenas haverá contratações pontuais, sobretudo para reparadores de carros, apurou o DN/Dinheiro Vivo.

O cenário era outro há menos de meio ano. A administração admitiu à comissão de trabalhadores, em novembro, a contratação de 400 pessoas este ano enquanto negociava o segundo pré-acordo laboral. E mesmo depois do chumbo do documento a proposta manteve-se em cima da mesa.

"De janeiro a agosto precisamos de qualificar e preparar uma quarta equipa. Vamos rapidamente dar início aos processos de vaga interna para a identificação de colaboradores necessários para as funções mais qualificadas e começar com as ações de formação necessárias", referiu a administração da Autoeuropa na nota interna enviada em 12 de dezembro aos trabalhadores.

Agora, a fábrica de Palmela está a recorrer à prata da casa para conseguir criar esta nova equipa. Depois da entrada de mais de 2400 pessoas no ano passado, a Autoeuropa estará a apostar na formação interna e na agilização de processos para conseguir formar este turno sem precisar de contratar 400 pessoas. Esta equipa deverá arrancar depois das férias de agosto e permitir que a linha de montagem funcione em laboração contínua.

Por exemplo, numa tarefa em que seriam necessários três operários, está a ser dada formação para que sejam precisos apenas dois. O outro trabalhador estará incluído na quarta equipa. Os treinos estão a ser dados para que exista o mínimo de baixas médicas possível entre os 5724 funcionários (ver caixa) da fábrica de Palmela.

A comissão de trabalhadores, que em fevereiro conseguiu um acordo de aumentos salariais e integração de 250 precários, limita-se a responder que "as pessoas estão a ser colocadas nas equipas". Mas a poupança que a fábrica portuguesa do grupo Volkswagen irá obter com o sucesso da formação poderá ser uma arma a ser utilizada nas negociações para o horário da Autoeuropa pós-agosto.

O horário de laboração contínua estará em cima da mesa das negociações a partir de terça-feira, quando for retomada a produção na Autoeuropa, após mais uma semana de paragem por quebra no fornecimento dos motores a gasolina para o T-Roc. A comissão de trabalhadores está à espera de ser chamada pela administração para discutir as condições em que irá funcionar a quarta equipa, adianta o coordenador Fernando Gonçalves. Isto numa altura em que corre um abaixo-assinado, o segundo no espaço de dois meses, para demitir a comissão de trabalhadores.

Um desenlace determinante para o cumprimento da meta de produção para este ano - 240 mil carros. O T-Roc, o SUV que começou a ser fabricado em série em agosto, representa mais de 600 dos 840 carros por dia que saem das linhas de montagem da fábrica e justifica o novo horário. Até final de fevereiro já tinham sido entregues mais de 40 mil carros na Europa.

Baixas médicas afetam quase 300 pessoas

Há 288 trabalhadores na Autoeuropa que estão fora da linha de montagem por baixa médica. É o resultado do elevado desgaste a que os operários da fábrica de Palmela são sujeitos diariamente e que estará a ser atenuado com o programa de formação da quarta equipa de trabalhadores, atualmente em curso. No final do ano passado, a população ativa da Autoeuropa era constituída por 5724 trabalhadores, menos 288 do que os 6012 funcionários que estavam inscritos para o referendo que aprovou o pré-acordo salarial, em fevereiro. Só no último ano, a fábrica contratou mais de 2400 trabalhadores.

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