Montepio espera fechar ano com subida do lucro para 17,4 milhões de euros

O valor fica acima dos lucros de 7,4 milhões de euros registados em 2016

A Associação Mutualista Montepio Geral espera fechar este ano com lucros de 17,4 milhões de euros, uma melhoria face a 2016, e conseguir 30,5 milhões de euros em 2018 com a reversão de imparidades, segundo o Plano de Orçamento enviado aos associados.

De acordo com o documento, que será debatido na assembleia-geral da Associação Mutualista marcada para 27 de dezembro em Lisboa, "a estimativa de resultados líquidos para o exercício de 2017" vai ao encontro do "valor orçamentado de 17,4 milhões de euros".

Este valor, a concretizar-se, fica acima dos lucros de 7,4 milhões de euros registados em 2016, que significou uma inversão dos resultados face ao prejuízo de 393,1 milhões de euros de 2015.

A justificar a subida estimada dos lucros este ano estão, segundo o Plano de Ação e Orçamento para 2018, vários fatores, desde logo a "melhoria dos resultados inerentes a associados, por via da relação entre a margem associativa e a variação das provisões técnicas", que deverão ser este ano negativos em 23,1 milhões de euros, mas melhor do que os 63,3 milhões negativos de 2016.

Já os resultados financeiros deverão alcançar 42,5 milhões de euros e os "outros resultados de exploração em rendimentos das propriedades de investimento" em 7,1 milhões de euros.

A mutualista espera ainda uma reversão de imparidades e a "contenção de gastos gerais administrativos" em 28,9 milhões de euros.

Já para 2018, as perspetivas da Associação Mutualista são ainda melhores: lucros de 30,5 milhões de euros.

A ajudar as contas estará uma reversão de imparidades no valor de 45 milhões de euros. Segundo o parecer do Conselho Fiscal que acompanha o Plano de Orçamento, a reversão de imparidades poderá ser ainda maior tendo em conta as melhorias do setor bancário e a subida do 'rating' de Portugal.

Em termos de gastos gerais administrativos são esperados em 2018 cortes de 29 milhões de euros.

Apesar da divulgação destas perspetivas financeiras, à Associação Mutualista Montepio ainda falta divulgar as contas consolidadas referentes a 2016. É nestas contas que a associação faz a consolidação dos resultados de todas as empresas em que tem participações no capital, permitindo uma visão mais abrangente da sua situação.

Em março deste ano foram conhecidas as contas consolidadas de 2015, tendo ficado a saber-se que a Associação Mutualista tinha, no fim de 2015, capitais próprios negativos de 107,53 milhões de euros. Isto levou Tomás Correia, presidente da Associação Mutualista Montepio, a garantir que a associação não estava em causa e que tinha recursos para fazer face às responsabilidades perante os seus associados.

A Associação Mutualista Montepio Geral é o topo do Grupo Montepio, que tem como principal empresa a Caixa Económico Montepio Geral (CEMG), o banco mutualista.

Ainda no Plano de Ação e Orçamento para 2018 é revelado que a Associação Mutualista Montepio tinha em outubro 623.675 associados, quase menos dez mil do que os 633.336 de janeiro. Contudo, desde agosto (quando eram de 621.812) que o número tem vindo a crescer.

Para 2018, espera atingir 659.331 associados.

Quanto ao ativo, a Associação Mutualista estima que se reduza para 3.413,3 milhões de euros no final de 2017 (-8,8% face a 2016), o que é justificado com a retirada de cerca de 400 milhões de euros pelos associados com o vencimento das séries da modalidade Montepio Capital Certo.

Este valor do ativo fica abaixo do registado quer em 2016 (3.741,872 milhões de euros) quer em 2015 (3.864,071 milhões).

Já para 2018, a Associação Mutualista espera um crescimento do ativo e mesmo a superação do valor de 2015, estimando que chegue a 3.890,173 milhões de euros.

Para este crescimento do ativo, segundo o parecer do Conselho Fiscal que acompanha o Plano de Ação, é esperada a captação de 974 milhões de euros nas modalidades de capitalização, desde logo com a "reaplicação da quase totalidade dos 370 milhões de euros das séries Capital Certo que se vão vencer durante o ano", e ainda da captação de mais 50 milhões de euros de novas poupanças por mês.

Espera ainda a Associação Mutualista a "obtenção de 102 milhões de euros em modalidades de providência" em 2018.

O Plano de Ação e Orçamento de 2018 será votado na assembleia-geral da Associação Mutualista em 27 de dezembro.

Contudo, fora da agenda oficial reunião ficarão outros temas, desde logo a eventual entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) no capital da CEMG, o valor que será injetado e a participação de capital com que ficará.

A imprensa tem adiantado que a SCML entrará com 200 milhões de euros em troca de uma participação de 10% na CEMG, o que valoriza a CEMG em cerca de 2.000 milhões de euros.

A CEMG também está num período de mudança dos estatutos e mesmo da sua equipa de gestão, tendo a Associação Mutualista anunciado a entrada de Nuno Mota Pinto para presidente do banco, lugar atualmente ocupado por Félix Morgado.

A Associação Mutualista Montepio está também em processo de venda das suas seguradoras ao grupo chinês CEFC.

Para já, só se sabe que o CEFC ficará com uma participação maioritária, ficando a controlar o Montepio Seguros (de que se destaca a Lusitânia), mas é desconhecida a participação exata e o valor com que entrará no capital. Desses termos do negócio depende a criação, ou não, de imparidades pela Associação Mutualista.

Antes da assembleia-geral, também no dia 27 de dezembro, acontece a reunião do Conselho Geral da Associação Mutualista Montepio.

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