Assaf Biderman. "Encolher os veículos é a solução para nos movermos em metrópoles cada vez maiores"

Os pequenos veículos elétricos são a solução para os grandes centros urbanos, defendeu o CEO da Superpedestrian, que quer tornar a micromobilidade rentável até nas periferias. Um setor avaliado em mais de 10 mil milhões de dólares.

Se as grandes cidades tendem a evoluir para metrópoles e atrair cada vez mais gente, então "os veículos que nelas circulam têm de encolher". Assaf Biderman está absolutamente seguro de que não há outra solução para termos cidades sustentáveis no futuro próximo sem passar para a micromobilidade. E a empresa que lidera, a Superpedestrian, nasceu precisamente para tornar o sistema de micromobilidade mais tecnológico, seguro e rentável, também fora dos grandes centros.

"Querida, encolhi o carro - novas tecnologias em veículos elétricos ligeiros que respondem à procura exponencial por mobilidade urbana", foi por isso, muito a propósito, o tema da apresentação do diretor associado e fundador do MIT Senseable City Lab no terceiro dia do Portugal Mobi Summit.

Com as estimativas a apontarem para a triplicação da mobilidade nos centros urbanos em meados deste século, o problema agudizou-se com a vulgarização do e-commerce e das entregas rápidas aceleradas pela pandemia. "As ruas estão esgotadas, sob uma enorme pressão e vamos ter de abordar este problema", disse Assaf Biderman, em comunicação digital a partir dos Estados Unidos para o auditório do Palácio da Cidadela, em Cascais.

"Apesar dos muitos milhões que continuam a ser gastos nos carros elétricos, a sua massificação não vai resolver, por si só, este problema do congestionamento", já que elétricos ou não, continuam a ocupar espaço, lembra Biderman.

Por outro lado, é a própria utilização dos veículos que está desadequada, pois em média um carro é ocupado por menos de 1,3 pessoas nos dias de semana e, se calhar, não é a solução que melhor se adapta ao tipo de viagem.

É aqui que entra a solução da multimodalidade de transportes, em que se combinam vários tipos de meios, como usar o carro da periferia até um parque e depois uma bicicleta elétrica ou uma trotinete para fazer a distância mais curta, a chamada 'last mile' ou até chamar o táxi on demand.

"Se conseguirmos evoluir para este tipo de soluções e integrá-la nos nossos hábitos , as cidades vão funcionar muito melhor", sustenta aquele responsável do MIT.

A adesão a este tipo de modalidades já está em marcha nas grandes cidades, embora ainda a uma escala reduzida.

Mas Assaf Biderman alerta para o próximo passo que falta dar neste novo modelo. "O grande desafio é tornar este sistema de micromobilidade rentável e seguro também nas periferias". Como o próprio diz, "quanto mais pequeno o veículo e mais longe se afasta das áreas de grande densidade, mais difícil é ganhar dinheiro como ele".

Acabar com esta limitação é justamente o foco da Superpedestrian que levou anos a estudar o assunto. Para Biderman, a solução está no software, mais concretamente em desenvolver modos de dotar estes veículos ligeiros com sistemas inteligentes que podem ser geridos remotamente, para controlar limites de velocidade, para não circularem em cima de passeios, para indicarem a necessidade de manutenção, etc. "Há imensas possibilidades", assegura.

Assaf Biderman tem a noção de que quando estamos nesta escala micro, "temos de fazer muito com pouco". Por isso, a "inteligência" destes veículos ligeiros não pode custar os 10 ,15 mil euros como custam nos automóveis, mas temos de fazer com 30 euros.

"Acredito que estas soluções contribuem para uma maior equidade na mobilidade, sobretudo para quem mais precisa de soluções alternativas nas periferias", defende aquele engenheiro.

O mote "eletrificar as nossas cidades e fazer veículos mais pequenos" já se expandiu por mais de 50 cidades nos Estados Unidos e Europa, que usam a plataforma da Superpedestrian.

O mercado da micromobilidade está avaliado em mais de 10 mil milhões de dólares.

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