Apostar no futuro da água passa a ser possível na Bolsa de Nova Iorque

A água começou a ser negociada como recurso ('commodity') em contratos futuros na bolsa de Nova Iorque, à semelhança do que já acontece com o petróleo ou o ouro, mas sem poder ser fisicamente transacionada, segundo a Bloomberg.

De acordo com a agência financeira, a negociação salienta as preocupações de que o recurso natural que suporta a vida pode ficar escasso em várias partes do mundo.

Agricultores, 'hedge funds' (fundos especulativos) e municípios poderão apostar contra ou a favor da escassez da água a partir deste segunda-feira, já que o Grupo CME lançou contratos ligados à indústria de cerca de 1,1 mil milhões de dólares (cerca de 906 milhões de euros) do mercado de água da Califórnia, nos Estados Unidos.

Segundo o Grupo CME, os contratos futuros ('futures') ajudarão os utilizadores da água a gerir o risco e a alinhar melhor a oferta e a procura, refere a agência Bloomberg.

Os 'futures' da água, os primeiros de sempre nos Estados Unidos, foram anunciados em setembro, altura em que os incêndios florestais assolaram a costa oeste dos Estados Unidos, onde se situa a Califórnia.

Os contratos serão acordados financeiramente e não requererão a efetiva entrega física de água, e estão baseados no índice de Água Nasqaq Veles Califórnia lançado há dois anos.

Este índice estabelece um número de referência semanal do preço do direito à água na Califórnia, sustentado pela média ponderada por volume dos preços de transação nos cinco maiores e mais negociados mercados de água do estado.

Os contratos incluirão os trimestrais até 2022, com cada um a representar 10 acres-pés de água, equivalente a cerca de 3,26 milhões de galões (12,3 milhões de litros).

Atualmente se um agricultor quiser saber quanto vai custar a água na Califórnia dentro de seis meses, é uma questão de "palpite", disse numa entrevista Patrick Wolf, da Nasdaq, com os 'futures' a permitirem saber "quais são os palpites de toda a gente".

A Bloomberg aponta ainda que os contratos destinam-se a servir tanto como cobertura para os maiores consumidores de água da Califórnia face ao aumento exponencial de preços, como ser uma bitola de escassez para os investidores a nível mundial.

"As alterações climáticas, as secas, o aumento da população e a poluição tornarão provavelmente os problemas de escassez de água e o seu preço um tema quente nos próximos anos", disse o diretor e analista da RBC Capital Markets Deane Dray, citado pela Bloomberg, afiançando ainda que irá "definitivamente acompanhar" a evolução dos 'futures' da água.

Dois mil milhões de pessoas vivem atualmente em países com problemas de acesso à água, e quase dois terços do mundo poderá sofrer quebras no abastecimento de água dentro de quatro anos, disse Tim McCourt, do Grupo CME, à Bloomberg.

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