Angola tirou de circulação o equivalente a 400 milhões de euros

Angola tinha em circulação, em março, 424.928 milhões de kwanzas (2.353 milhões de euros) em notas e moedas, uma nova quebra mensal de 3% e que desde janeiro representa o equivalente a menos quase 400 milhões de euros.

De acordo com dados do Banco Nacional de Angola (BNA) a que a Lusa teve acesso, sobre a Base Monetária Ampla do país, entre fevereiro e março deixaram de estar em circulação (física) no país 10.730 milhões de kwanzas (59,4 milhões de euros).

Desde janeiro, quando o dólar atingiu valores máximos do ano, o BNA já retirou de circulação mais de 71.450 milhões de kwanzas (395 milhões de euros). Ao mesmo tempo, começa a ser habitual formarem-se longas filas nas poucas caixas da rede interbancária angolana (multibanco) com notas disponíveis para levantamento.

"Temos de mudar a nossa forma de usar e de lidar com dinheiro. Nos outros países raramente se usa a nota e nós queremos andar com um milhão ou dois milhões de kwanzas num saco de notas. Temos de reduzir o uso de notas", admitiu em abril o governador do BNA, Valter Filipe.

No final de 2015, Angola tinha em circulação 519.588 milhões de kwanzas (2.877 milhões de euros).

Um dos efeitos mais visíveis da descida do número de notas e moedas em circulação desde janeiro, conforme a Lusa constatou numa ronda pelas ruas de Luanda, é a subida do valor do kwanza, travando a valorização do dólar norte-americano no mercado paralelo, ilegal mas também a única solução para quem tenta, sem sucesso, aceder a divisas nos bancos.

Depois de máximos de 500 kwanzas (2,80 euros) por cada dólar, nos primeiros dias do ano, comprar a nota norte-americana, após descidas consecutivas, custava esta semana entre 350 e 380 kwanzas (1,93 a 2,10 euros).

Recentemente em Luanda para reuniões com o Governo angolano, o chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para Angola, Ricardo Velloso, admitiu que a retirada de circulação de moeda nacional é uma medida positiva, pelas repercussões no corte nas taxas de câmbio no mercado paralelo, que permanecem em mais do dobro do valor oficial.

"É uma medida muito importante, que ajuda no controlo da inflação e ajuda a reduzir o diferencial entre a taxa de câmbio do mercado de rua e a taxa oficial", destacou o chefe da missão do FMI, questionado pela Lusa.

Angola vive desde finais de 2014 uma profunda crise financeira e económica decorrente da quebra para metade nas receitas com a exportação de petróleo, tendo desvalorizado o kwanza, face ao dólar, em 23,4% em 2015 e mais 18,4% ainda no primeiro semestre de 2016.

A taxa de câmbio oficial cifra-se atualmente em cerca de 166 kwanzas (95 cêntimos de euro) por cada dólar, quando antes do início da crise das receitas do petróleo, ainda em 2014, era de 100 kwanzas.

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