PwC alerta que prejuízos reportados pela TAP de 493 milhões estão "subavaliados"

O alerta consta do relatório de gestão e contas consolidadas da companhia aérea, relativo ao primeiro semestre de 2021, publicado na quarta-feira, em que a TAP dá conta do prejuízo de 493,1 milhões de euros - que tinha sido anunciado em 27 de agosto -, inferior aos 582 milhões de euros registados no mesmo período do ano passado.

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A auditora PwC considera que o valor do prejuízo reportado pela TAP de 493,1 milhões de euros, no primeiro semestre, está "subavaliado", por prever 893 milhões que a TAP SA espera receber da TAP SGPS, que ainda não chegaram.

O alerta consta do relatório de gestão e contas consolidadas da companhia aérea, relativo ao primeiro semestre de 2021, publicado na quarta-feira, em que a TAP dá conta do prejuízo de 493,1 milhões de euros - que tinha sido anunciado em 27 de agosto -, inferior aos 582 milhões de euros registados no mesmo período do ano passado.

O Negócios já tinha avançado, na quarta-feira à noite, que a PwC, que audita as contas da TAP, concluiu ter "reservas" em relação aos valores reportados, estando em causa "um montante de 893 milhões de euros que a TAP SA [a empresa que controla a companhia aérea] espera receber do grupo TAP SGPS", mas que ainda não chegou.

"Consideramos que a rubrica de outras contas a receber encontra-se sobreavaliada, e o resultado líquido negativo encontra-se subavaliado, por um montante que, nas atuais circunstâncias, não nos é possível quantificar, com razoável grau de segurança, dada a incerteza inerente ao plano de reestruturação em curso", conclui a auditora.

No relatório, a companhia aérea refere que "no âmbito do Plano de Reestruturação em curso, a esta data, o conselho de administração do grupo TAP SA, em articulação com o seu acionista maioritário [o Estado português], encontra-se a avaliar a recuperabilidade do saldo a receber da TAP SGPS em 30 de junho de 2021, no montante de 893 milhões de euros, pelo que as demonstrações financeiras consolidadas condensadas do período de seis meses findo em 30 de junho de 2021 não refletem os impactos da referida análise".

A companhia explicou ainda que aquele montante resulta "da sua gestão de participações financeiras" na TAP Manutenção Engenharia Brasil, na SPdH -- Groundforce e na Portugália.

A auditora salienta que a continuidade das operações do Grupo TAP se encontra dependente da aprovação do plano de reestruturação pela Comissão Europeia, "da capacidade de obtenção de apoio financeiro acionista e/ou recursos financeiros externos" e da evolução da pandemia de covid-19 e da recuperação do setor da aviação.

Assim, "tendo em consideração os potenciais impactos na atividade operacional e financeira futura do Grupo, bem como no setor do transporte aéreo, os fatores acima descritos representam uma incerteza material que pode colocar dúvidas sobre a capacidade do Grupo em manter a continuidade das suas operações", acrescenta a PwC.