Algarve supera as 32 mil unidades de alojamento local. Albufeira é a campeã

Albufeira, Loulé e Portimão concentram mais de 50% destas estruturas. Os gastos diretos dos turistas nas unidades de AL a sul cifram-se em 981,5 milhões de euros.

O Algarve é há décadas um dos destinos de férias em Portugal por excelência. O aluguer de casas para o verão é uma realidade há vários anos, mesmo antes de ser chamado de alojamento local. Um estudo realizado a pedido da AHRESP mostra que no sul do país existem 32.405 alojamentos locais (AL) listados no Registo Nacional de Alojamento Local (RNAL).

Albufeira, Loulé e Portimão são as três cidades costeiras que concentram mais de 50% destas estruturas para turismo. São também estas três localizações que concentram o maior número de camas - mais de 25 mil em Albufeira, superior a 22 mil em Loulé e a 12 mil em Portimão - e hóspedes - mais de 35 mil em Albufeira, acima de 29 mil em Loulé e mais de 20 mil em Portimão.

Os britânicos, que frequentemente escolhem o Algarve como destino de férias, também são dos principais turistas a recorrerem ao AL, seguidos dos portugueses e franceses. Entre os principais motivos para os que rumam a Sul elegerem este tipo de alojamento está o preço e a localização.

24,3% dos imóveis transformados em AL eram utilizados como habitação permanente

No Algarve, o alojamento local é sobretudo composto por apartamentos (77%) e por moradias (21,3%), sendo que mais de metade dos proprietários só tem uma unidade sob gestão. Tal como para o restante setor do turismo, a sazonalidade da região é para os proprietários destes imóveis é uma das principais ameaças à atividade, seguida da carga fiscal associada à atividade e questões legais/licenciamentos. Ainda assim, a maioria dos empresários antecipa uma manutenção ou melhoria do cenário atual isto porque se mostram igualmente otimista com a procura turística externa.

Os gastos diretos dos turistas nas unidades de AL a sul cifra-se em 981,5 milhões de euros, de acordo com o estudo. Sendo que esta atividade dá um contributo de 354 milhões de euros para o PIB e tem perto de 20 mil pessoas a trabalharem neste segmento.

Imóveis desocupados

Muitos dos imóveis que foram transformados em alojamento local estavam desocupados. Ou seja, pouco mais de 40% do número de imóveis estavam desocupados ou eram utilizados como casa de férias e 24,3% eram utilizados como habitação permanente. O remanescente dos espaços eram antigas pensões/residenciais e arrendamentos comerciais.

Apesar de ser elevada a diversidade de tipologias e combinações, o AL típico no Algarve são apartamentos com capacidade para quatro pessoas: um a dois quartos, com duas a três camas, e uma a duas casas de banho. Outro dado que este estudo mostra é que a maioria dos proprietários quer minimizar potenciais riscos e por isso proíbe a permanência no espaço de animais e exige valores de reserva (normalmente na casa de 30%). Quanto à ocupação, os dados mostram que as taxas de ocupação médias anuais são positivas, com 68,8% dos alojamentos com taxas de ocupação média anual superior a 50%.

Plataformas digitais

A maioria das reservas (77%) em alojamento local são feitas através das plataformas digitais, sendo que, das várias presentes no mercado há uma que se destaca, a Booking (36%). Quando se fala de alojamento local uma das questões frequentemente mencionada é o efeito que este tipo de infraestrutura para turistas tem para as comunidades locais. O estudo da AHRESP mostra que no Algarve o alojamento local é bem acolhido pela população, com quase 38% dos vizinhos a dizerem que têm uma boa opinião sobre o AL e 43,5% a sublinharem que têm uma opinião positiva.

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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