Alemanha suspeita que a Fiat Chrysler fez o mesmo que a Volkswagen

Relatório transmitido à Comissão Europeia refere "sofware, aplicações e calibradores suspeitos e possivelmente fora da lei" que seria utilizado pelo grupo italo-americano

A Alemanha transmitiu hoje à Comissão Europeia e às autoridades italianas um relatório sobre o grupo italo-americano Fiat Chrysler, que aponta para a manipulação dos motores para ocultar os níveis reais das emissões de gases poluentes.

A notícia está a ser avançada pelo jornal alemão 'Bild am Sonntag', que publicou hoje excertos de um relatório confidencial da Agência Federal Alemã do Automóvel (KBA), que salienta que a Fiat usa em modelos diesel Euro6 "sofware, aplicações e calibradores suspeitos e possivelmente fora da lei".

O semanário salienta que vários testes realizados pela KBA permitiram determinar que o sistema de controlo de emissões poluentes desativava-se completamente ao fim de 22 minutos, dois minutos depois do final dos testes padrão feitos pelas autoridades.

Isto tem como consequência emissões de óxido de nitrogénio (NOx) "dez vezes superiores ao nível máximo", afirma o 'Bild am Sonntag'.

O Ministério dos Transportes alemão confirmou hoje o relatório da KBA e, por sua vez, a Fiat Chrysler indicou já que não fará declarações públicas sobre este tema.

O ministro dos transportes alemão, Alexander Dobrindt, tinha convidado esta semana a direção da Fiat Chrysler para uma reunião em Berlim, mas o fabricante não compareceu no encontro.

Através dos seus advogados, a Fiat comunicou que são unicamente as autoridades italianas que devem responder à pergunta se os veículos da marca italiana cumprem as normas europeias em matéria de emissões.

"Esta falta de cooperação da parte da Fiat é completamente incompreensível", considerou já o ministro Alexander Dobrindt.

O primeiro caso confirmado de manipulação intencional dos resultados de emissões dos motores diesel surgiu no ano passado quando testes nos Estados Unidos detetaram que a Volkswagen utilizada software especificamente desenhado para fazer baixar a poluição de alguns dos seus motores diesel quando eram testados.

A fraude atingiu não motores utilizados em carros Volkswagen e outros do grupo, designadamente Audo e Seat. O grupo automóvel alemão, o maior da Europa, ainda hoje lida com os custos associados ao escândalo.

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