Agência DBRS sobe rating de Portugal em um nível

Agência canadiana deu nota BBB alto. Dívida está agora três níveis acima de lixo. A perspetiva é estável, diz a DBRS em comunicado.

A nota da dívida pública portuguesa subiu um nível, de BBB neutro para BBB alto, anunciou esta sexta-feira a agência de notação financeira (rating) DBRS.

A empresa canadiana manteve a dívida num patamar que é considerado aceitável, de investimento. Esta nota significa que o crédito público está já três níveis acima de lixo (investimento arriscado ou muito especulativo). A perspetiva para a dívida portuguesa é agora estável.

Os analistas da DBRS elogiam o facto de o país estar a fazer uma "consolidação orçamental estrutural", o equilíbrio das contas públicas e a redução do rácio da dívida pública face ao produto interno bruto (PIB). Notam ainda que, apesar dos riscos circundantes, a economia continua a crescer e a criar emprego.

Ainda no capítulo da economia, a agência financeira nota que as exportações portuguesas estão mais diversificadas, o que torna o país menos vulnerável a choques na procura externa, sobretudo em tempos de guerra comercial, como os que marcam a atualidade.

A qualidade das exportações e o crescimento do investimento privado também são fatores assinalados como positivos e que justificam a promoção dada ao país.

No capítulo dos bancos e setor financeiro, a DBRS nota que há menos ameaças à estabilidade financeira. Embora a dívida seja ainda muito elevada, a agência releva a redução gradual do endividamento das empresas não financeiras; a diminuição do crédito malparado; e a melhoria da rendibilidade da banca, a par do aumento dos rácios de capital.

O gabinete do ministro das Finanças, Mário Centeno, destaca o facto de "a dívida pública portuguesa beneficiar hoje da classificação de investimento pelas quatro principais agências de rating internacionais, estando com perspetiva positiva nas outras três [Moody"s, S&P e Fitch]".

Para Centeno, "a DBRS antevê a continuação do crescimento equilibrado da economia portuguesa no futuro, apoiado por uma dinâmica positiva da procura interna associada ao crescimento do emprego, das remunerações e do investimento".

No entanto, a agência canadiana também avisa que o ritmo de crescimento deverá ser mais moderado do que no passado recente devido à expectável desaceleração da procura externa.

A DBRS foi a única agência que, durante a crise financeira, manteve a dívida de Portugal acima de lixo e elegível para os apoios do Banco Central Europeu. A próxima agência a avaliar o País é a Fitch: tem uma ação agendada para o próximo dia 22 de novembro. Será a última avaliação do ano por parte das quatro principais agências de rating, segundo mostra o IGCP.

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