David Neelman dá por terminado o "mal-entendido" sobre prémios na TAP

"Estas coisas acontecem e virámos uma página no fim de semana", disse o principal acionista da TAP.

David Neeleman, acionista de referência da TAP, garantiu esta terça-feira que no fim de semana foi "virada a página" na polémica em relação aos prémios atribuídos a quadros superiores da empresa.

"Estas coisas acontecem e virámos uma página no fim de semana. Foi um mal-entendido", explicou, lembrando a reunião entre a Comissão Executiva e o Conselho de Administração da companhia aérea sobre os prémios.

O empresário falou em São Francisco, no Consulado de Portugal, no dia em que a TAP inaugurou uma rota para aquela cidade.

Neeleman fez eco do comunicado enviado pela TAP no sábado a dar conta deste "mal-entendido" e a sugerir a criação de um comité de recursos humanos para ajudar a gerir estas questões.

Já Miguel Frasquilho, presidente do Conselho de Administração, não quis comentar diretamente este assunto, mas deixou uma "palavra de apreço a todos os trabalhadores da TAP".

A Lusa noticiou no final da semana que a TAP pagou prémios de 1,171 milhões de euros a 180 pessoas, incluindo dois de 110 mil euros atribuídos a dois quadros superiores, segundo um documento a que a Lusa teve acesso.

Em causa estão prémios que foram pagos com o salário de maio destes colaboradores e que oscilam entre os 110 mil e pouco mais de mil euros.

O Governo, que detém 50% da TAP, mostrou-se muito crítico desta decisão, tendo o ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos falado em "quebra de confiança".

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...