Academia de empreendedoras chega aos Açores

Iniciativa Connect to Success prepara mulheres empresárias para os desafios dos negócios

Kim Sawyer, embaixatriz dos EUA e ela própria uma empresária de sucesso, está nos Açores para lançar o programa Connect to Sucess. Uma espécie de academia em que especialistas de grandes empresas e de universidades preparam as empreendedoras, com empresas ou ideias, para arriscarem no negócio.

Uma centena de mulheres, 30 na Terceira e 65 em S. Miguel, inscreveram-se em sessões de trabalho sobre como preparar um plano de negócios (a cargo da Universidade Católica), como conseguir financiamento (Sociedade para o Deenvolvimento Empresarial nos Açores e European Business Angels Network & Cork), como funcionam o marketing e as redes sociais (IBM), como se faz uma negociação (ISCTE)? Um plano de formação que Kim Sawyer diz ter sido preparado especificamente para a ilha e que começou com uma reunião com dez empreendedoras, em abril. É a primeira vez que o projeto sai do Continente.

Esta sexta-feira, na Universidade dos Açores, na unidade de Angra do Heroísmo, as sessões foram muito participativas e várias foram as perguntas: "Porque é que não podemos apostar em vários mercados?". "Porque é errado assumir desde logo que somos capazes de desenvolver o produto dentro do prazo?" "Como é que se conhece o mercado, não é melhor contratar alguém?"

"Estivemos nos Açores em abril para perceber quais os desafios das empreendedoras, que são os mesmos dos empreendedores em geral mas perante uma realidade diferente, desde logo como é que vão exportar os seus produtos numa ilha. E isso é um problema tanto para homens como para mulheres", explica Kim Sawyer, que se assume uma lutadora pela igualdade de género e contra a violência doméstica.

Aqueles foram os motivos porque criou em Portugal o Connect to Success e que começou no primeiro dia em que o marido, Robert Sherman, chegou como embaixador dos EUA, 5 de abril de 2014. Ele é advogado, tal como a mulher mas Kim trabalha na área da consultadoria financeira na empresa que fundou há 22 anos: a TLSG.

Talvez por isso não seja uma embaixatriz tradicional, reconhece, já que passa mais tempo em Boston, onde preside à sua empresa, do que a ser anfitriã nos jantares da embaixada. E quis, "trazer muito dos programas de formação" que beneficiou nos EUA, "adaptando-os à realidade portuguesa".

O Connect to Success foi lançado há dois anos, desde logo com a participação da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), parceria que, recentemente, se tornou mais efetiva. E que, com o regresso dos embaixadores aos EUA, no próximo verão, se transformará em liderança. "A FLAD é uma garantia da sustentabilidade do projeto e de que se vai manter para além da nossa presença", disse o embaixador na sessão de lançamento.

Robert Scherman envolveu-se na campanha do presidente norte-americano e Obama convidou-o para ser o seu representante no estrangeiro. "Bob pôs em primeiro lugar Portugal e, passados estes anos, não podia estar mais feliz com a escolha", diz a mulher.

As reuniões de trabalho terminam sábado na Terceira, continuando domingo e segunda-feira em S. Miguel. As 100 mulheres dos Açores juntam-se a a 642 envolvidas neste projeto desde que foi criado. E, se nos EUA, as iniciativas idênticas obrigam as sociedade a terem 51% ou mais de mulheres, aqui é a partir dos 50%, já que muitas ficariam de fora, aprendeu a embaixatriz. Esta é uma singularidade portuguesa, outra é o programa ser gratuito e terceira, não envolver apenas os estudantes de MBA. Estes acompanham as empreendedoras durante seis meses, ajudando-as a incrementar o negócio, o que funciona como disciplina prática.

O programa tem três componentes: Corporate Mentoring Program, a empresa apoia a empreendedora durante um ano; MBA Masters Consulting Program, as empreendedoras trabalham com universitários e workshops.

Qualquer mulher se pode registar no programa, o que lhe permite também ter acesso a informação sobre oportunidades de negócio. A participação em workshops é automática, o Mentoring e o MBA Masters exigem uma candidatura.

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