"25% das vendas da VW em 2025 já serão de carros elétricos"

Gigante da indústria automóvel alemã acredita que motor diesel atingiu o pico de desenvolvimento. VW pede "choque cultural elétrico" ao governo, à semelhança do que fizeram os países nórdicos. E mais incentivos

A Volkswagen está a acelerar o desenvolvimento de carros elétricos, um ano depois do escândalo da manipulação das emissões poluentes em 11 milhões de carros a gasóleo em todo o mundo. A meta para 2025 é que um em cada quatro carros vendidos sejam elétricos, prevê Ricardo Tomaz em entrevista ao DN/Dinheiro Vivo. O gigante alemão pede também mais medidas ao governo português para reforçar a venda de carros elétricos, revela o diretor de marketing e comunicação da SIVA, que importa todos os carros do grupo, exceto a Seat.

A Volkswagen apresentou em junho a estratégia para 2025, que já estava a ser delineada há algum tempo. Em que medida o caso das emissões afetou esta proposta? Tiveram de colocar metas mais ambiciosas?

Há uma relação entre a estratégia 2025, que aponta para uma rápida eletrificação da gama e o que aconteceu com o desvio das emissões de óxido de azoto (NOx) em 2015. O grupo VW não descobriu a eletrificação por epifania. Já tinha uma estratégia, que era bem mais prudente. O grupo pensava que a evolução para os carros 100% elétricos seria feita de forma mais lenta. Atualmente, a VW acredita que vai vender um milhão de elétricos em 2025; 25% das vendas totais. São metas bastante mais ambiciosas.

O grupo compromete-se a lançar 30 modelos 100% elétricos até 2025. Em todos os segmentos?

A Volkswagen será o porta-estandarte da nova estratégia do grupo, sobretudo com o modelo I.D., o primeiro carro 100% elétrico e uma previsão do que poderá ser o carro autónomo.

O que vai acontecer, entretanto, aos motores a gasóleo e gasolina?

Com a legislação prevista para 2020 em termos de emissões de dióxido de carbono (CO2), de 95 gm/km, o diesel vai ser incontornável, porque tem menos emissões. Mas também será incontornável uma estratégia de eletrificação para quase todas as marcas. Em relação ao diesel, cremos que já atingiu o pico de evolução tecnológica e já não vai crescer nas vendas. A partir daqui, para evoluir e acompanhar as normas, é preciso evoluir tecnologicamente de forma muito cara. Essa evolução ainda pode ser feita nos motores a gasolina. Além disso, há Estados membros a apertar as normas de partículas, que penalizam os carros a gasóleo. As marcas têm de canalizar investimento para energias alternativas.

Até chegarmos aos carros 100% elétricos, os modelos híbridos plug-in vão estar mais ligados à gasolina ou ao gasóleo?

O melhor caminho é o híbrido plug--in. Não gera ansiedade de autonomia e habitua o condutor a carregar a bateria numa tomada. Culturalmente é bom; prepara o consumidor para o elétrico. Tem pouca autonomia, em torno dos 20 km, ou seja, é perfeito para a cidade. A maior parte destes híbridos funciona a gasolina porque estes motores lidam melhor com as intermitências do ligar e desligar (à semelhança do sistema start/stop). É mais fácil do que associar a um carro com motor a gasóleo. Mas na Audi, por exemplo, há um híbrido acoplado a um diesel (Q7 e--tron).

Em Portugal, qual é a reação ???????aos vossos carros elétricos?

Temos dois modelos, o e-Up e o e-Golf. Em Portugal, este mercado é muito pequeno. Venderam-se, no total, 540 carros 100% elétricos até final de setembro [vale 3,9% do mercado total de ligeiros]. E muitas destas vendas são, em grande parte, frotas. Não há uma grande marca. Na VW vendemos 25 carros elétricos desde o início do ano. No mercado dos híbridos plug-in, como há cada vez mais oferta, o crescimento é muito maior, na ordem dos três dígitos. Também têm um quadro fiscal mais favorável.

O governo tem apostado na rede de carregamento Mobi.E. O que acham?

É preciso uma rede de carregamento rápido e a sua divulgação. Mas é preciso criar um verdadeiro choque cultural e haver discriminação positiva, como fazem alguns países nórdicos. Isso passa por estacionamento gratuito nas cidades, da utilização dos corredores bus ou dar prioridade a estes carros em dias com limitação de trânsito. É necessário sensibilizar mais as autarquias. Não vamos lá apenas pela procura.

Além de automóveis 100% elétricos, a estratégia da Volkswagen inclui os carros sem condutor. Será o I.D.?

Sim. Este modelo já tem o volante retrátil, ou seja, fica ativo o módulo de condução autónoma. Não se sabe ainda se no lançamento o I.D. vai ser 100% elétrico e autónomo ou só 100% elétrico. Os carros sem condutor estão a aproximar-se de nós muito depressa. Vai acontecer mais depressa do que pensamos e está ligado aos automóveis elétricos.

E como veem o surgimento ???????de concorrentes como a Tesla?

É uma marca nova fantástica. Produz ainda muito poucos carros e tem um enorme poder de atração. É um concorrente novo e direto. Vem ocupar o mercado e vários segmentos, com o Model 3, por exemplo, no patamar dos 35 mil euros.

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