William Carvalho apresentado no Betis: "Se ganhar a Liga Europa corto o bigode"

O médio ex-Sporting confessou que a escolha foi "muito difícil", pois tinha outras propostas. Mas ficou convencido depois de conhecer o projeto e a ambição dos sevilhanos

William Carvalho foi nesta terça-feira apresentado oficialmente como reforço do Betis de Sevilha, clube da I Liga espanhola, e deixou uma promessa aos jornalistas. "Fica prometido. Se ganhar a Liga Europa corto o bigode", disse, arrancando gargalhadas aos jornalistas e aos dirigentes espanhóis presentes na conferência de imprensa.

O médio ex-Sporting explicou depois os motivos que o levaram a aceitar a proposta dos sevilhanos. "Foi uma decisão muito difícil, pois tinha algumas propostas, mas escolhi o Betis. Pensei em conjunto com a minha família e estou muito contente com a escolha que fiz e de poder fazer parte desta estrutura. Espero conseguir retribuir dentro do campo a confiança que tiveram em mim. Escolhi o Betis pelo projeto que me foi apresentado. É um clube com muita ambição e com uns adeptos fantásticos. Foi isso que pesou na minha escolha. E também pela confiança que me deu todo o staff do clube", confessou.

William revelou que pediu conselhos a Joel Campbell e a Piccini, seus antigos colegas de equipa no Sporting que também representaram o Betis: "Sim, falei com eles. Um e outro disseram-me que se trata de um clube grande, com adeptos fantásticos. Disseram-me que se tivesse uma proposta devia aceitar." O internacional português disse ainda que não teve oportunidade de falar com Cristiano Ronaldo sobre a sua transferência para a Liga espanhola e adiantou que Sergio Busquets, do Barcelona, é uma das suas referências.

A transferência de William vai render no imediato 16 milhões de euros ao Sporting, podendo o clube de Alvalade receber mais quatro milhões mediante objetivos. Os leões ficam ainda com o direito a 25% de uma eventual transferência do médio, sendo certo que 20% poderão ser adquiridos pelo Betis por uma valor de dez milhões de euros.

O acordo selado entre os dois clubes prevê também que caso o Betis garanta a qualificação para a Liga dos Campeões, o clube espanhol fica obrigado a comprar mais 10% do passe por cinco milhões de euros.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

Adelino Amaro da Costa e a moderação

Nunca me vi como especial cultor da moderação em política, talvez porque tivesse crescido para ela em tempos de moderação, uma espécie de dado adquirido que não distingue ninguém. Cheguei mesmo a ser acusado do contrário, pela forma enfática como fui dando conta das minhas ideias, tantas vezes mais liberais do que a norma, ou ainda pelo meu especial gosto em contextualizar a minha ação política e governativa numa luta pela liberdade.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.

Premium

Crónica de Televisão

Cabeças voadoras

Já que perguntam: vários folclores locais do Sudeste Asiático incluem uma figura mitológica que é uma espécie de mistura entre bruxa, vampira e monstro, associada à magia negra e ao canibalismo. Segundo a valiosíssima Encyclopedia of Giants and Humanoids in Myth and Legend, de Theresa Bane, a criatura, conhecida como leák na Indonésia ou penanggalan na Malásia, pode assumir muitas formas - tigre, árvore, motocicleta, rato gigante, pássaro do tamanho de um cavalo -, mas a mais comum é a de uma cabeça separada do corpo, arrastando as tripas na sua esteira, voando pelo ar à procura de presas para se alimentar e rejuvenescer: crianças, adultos vulneráveis, mulheres em trabalho de parto. O sincretismo acidental entre velhos panteísmos, culto dos antepassados e resquícios de religião colonial costuma produzir os melhores folclores (passa-se o mesmo no Haiti). A figura da leák, num processo análogo ao que costuma coordenar os filmes de terror, combina sentimentalismo e pavor, convertendo a ideia de que os vivos precisam dos mortos na ideia de que os mortos precisam dos vivos.