Via aberta para o dragão que até pôde poupar para Liverpool

O FC Porto venceu o Boavista por 2-0 no jogo que abriu a 28.º jornada e assumiu a liderança da I Liga, ficando agora à espera do que fará o Benfica na visita ao Feirense

O FC Porto garantiu esta sexta-feira mais três pontos no jogo que abriu a 28.ª jornada da I Liga. A equipa de Sérgio Conceição, que esteve na bancada devido a castigo, venceu o Boavista por 2-0 e assumiu provisoriamente a liderança, ficando agora à espera do que fará o Benfica no domingo na visita ao último classificado Feirense.

O dérbi portuense não foi fácil para o campeão nacional. Não que os axadrezados tenham incomodado Casillas, mas sobretudo pela enorme barreira defensiva que Lito Vidigal (também na bancada por castigo) ergueu à frente do seu guarda-redes, com uma linha de cinco defesas, bem protegida por outra linha de quatro, deixando o avançado Yusupha Njie entregue à sua triste sorte.

Os dragões foram assim convidados a assumir as despesas do jogo, com Brahimi (não era titular desde o clássico com o Benfica) muito ativo na esquerda e Jesús Corona a fazer todo o flanco direito. Ambos procuravam dar largura ao jogo para pudessem abrir espaços na muralha axadrezada, enquanto no centro do terreno Otávio era um autêntico organizador de jogo, fazendo uso da sua capacidade de drible e de passe.

Com os cruzamentos a não saírem bem aos dragões, pois Soares e Marega tinham de ligar com a envergadura física e posicionamento dos três centrais, a solução depressa começou também a ser o remate de longe, mas a verdade é que a pontaria não estava afinada. Bem vistas as coisas, o domínio da equipa de Sérgio Conceição não era traduzido em oportunidades flagrantes e, aos poucos, começou a sentir-se alguma intranquilidade entre os azuis-e-brancos. Essa era, por certo, um dos principais objetivos da estratégia de Lito Vidigal.

Penálti desbloqueou o jogo

Contudo, aos 41 minutos, o árbitro Rui Costa mandou marcar penálti num lance em que Brahimi tentou romper pela esquerda tendo Raphael Silva na marcação. Algumas dúvidas quanto a esta decisão, mas o VAR acabou por confirmar o castigo máximo que acabaria por ser transformado por Soares, que chegava ao 13.º golo no campeonato.

O mais complicado estava feito. O FC Porto conseguia abrir o marcador e, a partir daquele momento, o Boavista teria de dar mais ao jogo em termos ofensivos se quisesse arrancar pontos no Dragão.

Apesar de estar a perder, o Boavista entrou para a segunda parte com a mesma estratégia, mas depressa teve de a mudar, pois logo aos 48 minutos, Otávio ultrapassou o apático Yusupha Njie e rematou de longe, fazendo um belo golo. Era o justo prémio para o médio brasileiro, que acabou por ser o jogador mais esclarecido perante as dificuldades que a equipa portista foi sentindo.

A partir desse momento, o ritmo do jogo que já não era muito alto baixou ainda mais, pois o FC Porto começou a pensar no jogo de terça-feira em Liverpool para os quartos-de-final da Liga dos Campeões. A equipa recuou um pouco no terreno à espera que o Boavista assumisse mais a partida para que depois pudesse sair em velocidade para aumentar a vantagem.

É certo que os axadrezados vieram para a frente, mas nunca tiveram arte para incomodarem Casillas, mas também é verdade que o FC Porto não voltou a criar ocasiões flagrantes de golo, à exceção de um remate acrobático de Brahimi, que Rafael Bracali defendeu já muito perto do final do jogo.

Os dragões conseguiram assim a 10.ª vitória consecutiva em dérbis com o Boavista, igualando assim o melhor registo de sempre estabelecido entre 1931 e 1946. Mas o mais importante foi a vitória que coloca pressão no rival Benfica, que está obrigado a vencer em Santa Maria da Feira se quiser continuar na liderança.

Foi o jogador mais esclarecido, imaginativo e determinado do FC Porto. Foi o cérebro do ataque da equipa, mas também uma preciosa ajuda na recuperação da bola. Acabou o jogo com oitro dribles eficazes, apenas falhando um, e marcou um merecido golo, com um remate de fora da área, contabilizando já seis marcados, tantos quantos aqueles que marcou no conjunto das duas temporadas anteriores.

VEJA O RESUMO DA PARTIDA

FICHA DO JOGO

Estádio do Dragão
Árbitro: Rui Costa (Porto)

FC Porto - Casillas; Jesús Corona (Maxi Pereira, 64'), Pepe, Éder Militão, Wilson Manafá; Otávio, Danilo Pereira (Loum, 86'), Herrera, Brahimi; Soares (Hernâni, 77'), Marega
Treinador: Sérgio Conceição

Boavista - Rafael Bracali; Rui Carraça, Jubal, Raphael Silva, Neris, Matheus Índio; Alberto Bueno, Rafael Costa, Gustavo Sauer (Mateus, 79'), Rafael Lopes (Falcone, 60'); Yusupha Njie (Edu Machado, 54')
Treinador: Lito Vidigal

Cartão amarelo a Gustavo Sauer (30') e Jubal (90+2)

Golos: 1-0, Soares (41' gp); 2-0, Otávio (48')

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