River-Boca terá relato para cardíacos sem gritos e com música zen. Oiça aqui

A paixão e emoção em torno da final da Taça Libertadores deste sábado motivou a ideia original por parte de uma rádio argentina. O teste já foi feito no jogo da primeira-mão (2-2) e revelou-se um sucesso

O River Plate-Boca Juniors deste sábado (20.00, SportTV5), que vai definir o campeão da Taça Libertadores, é o jogo mais aguardado de sempre pelos milhões de adeptos dos dois clubes rivais argentinos. Tratando-se de um clássico carregado de paixão e emoção, e sabendo-se como os hinchas das duas equipas são fanáticos, uma rádio, em parceria com a Sociedade Argentina de Cardiologia, resolveu fazer uma coisa completamente inédita: um relato para cardíacos, onde não há gritos, o locutor fala pausadamente e a transmissão é feita com uma música zen em fundo. E de vez em quando são até dados conselhos a quem sofre de problemas cardíacos, como por exemplo não fumar durante o jogo.

O primeiro teste foi feito no jogo da primeira-mão entre as duas equipas, que terminou empatado a dois golos. Mas o desafio deste sábado, por se tratar do duelo decisivo que vai apurar o campeão, promete ter ainda mais sucesso e será revestido de cuidados maiores.

Oiça aqui o relato do jogo da primeira-mão e veja como foram anunciados os golos.

"O que fazia (na transmissão do primeiro jogo) era recomendar alguma atividade para se fazer se alguém estava muito nervoso, alguma sugestão sobre alimentação saudável, sobre não abusar na comida, na bebida, e dar uma caminhada. E também alguns comentários durante a partida, de algumas situações sobre os jogadores. Fazia comentários médicos sobre a saúde mas apontando principalmente aos adeptos", disse o médico e membro da Sociedade Argentina de Cardiologia.

Esta foi também uma experiência nova para o jornalista responsável pelo relato do jogo, Leo Uranga, que tem uma programa muito famoso na Radio Continental e foi chamado para esta nova experiência na Rádio Colonia. "Há muitos anos que comento futebol, tenho amor pelo futebol, e obviamente temos sangue argentino e vivemos isso de uma maneira muito especial. Tivemos que nos relaxar, a música de fundo da transmissão ajudou-nos a controlar os decibéis. Tivemos que encontrar o ritmo, tínhamos de nos acomodar a algo que nos pediam. Houve, claro, um processo de adaptação", declarou o jornalista à ESPN.

Por o jogo deste sábado ser decisivo, Leo Uranga espera mais dificuldades para fazer o relato. "É a partida decisiva, a emoção é maior para todos e nós temos que encontrar a medida certa para nos relaxarmos", afirmou o jornalista, que garante que a iniciativa é um sucesso: "Recebemos muitas mensagens de ouvintes, umas por curiosidade, que acabaram por ouvir o relato na Radio Colonia, para ver como se poderia viver uma partida de uma maneira mais relaxada. Muitos disseram-nos que gostaram, que viveram o jogo de outra maneira, com menor emoção, mas na medida certa."

Ao longo dos anos foram feitos vários estudos para se testar como o futebol, sobretudo em grandes jogos, podem afetar a saúde cardíaca. No Mundial de 2006, por exemplo, um estudo da Universidade Ludwig-Maximilians, de Munique, apontou que o risco de um ataque cardíaco aumentou três vezes entre os homens e em 82% das mulheres nos dias em que a Alemanha, país sede do torneio, esteve em campo.

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