Queixam-se de cansaço? Já houve dois dérbis no espaço de 24 horas

Em maio de 1954, realizaram-se quatro duelos seguidos entre Sporting e Benfica. O primeiro para o campeonato, os outros para a Taça de Portugal, com os dois últimos a disputarem-se em dias consecutivos.

Benfica e Sporting reencontram-se esta quarta-feira no Estádio da Luz para as meias-finais da Taça de Portugal, apenas três dias depois de se terem defrontado em Alvalade para a I Liga, com triunfo encarnado por 4-2. Os dois treinadores, Bruno Lage e Marcel Keizer, queixam-se do pouco tempo que existe entre estas duas partidas, importantíssimas para aquele que será o desfecho da temporada, mas a verdade é que este não é o período temporal mais curto de sempre entre dérbis.

Em maio de 1954 realizaram-se dois dérbis em dias seguidos, culminando uma série de quatro jogos consecutivos entre águias e leões no período de duas semanas. Uma barrigada de futebol e de emoções que acabou por sorrir ao Sporting.

O campeonato nacional naquele ano terminou no dia 16 de maio com um Sporting-Benfica, no Estádio Nacional (casa emprestada dos leões), no qual os sportinguistas dos famosos Cinco Violinos foram consagrados campeões nacionais pela quarta vez consecutiva. Um triunfo por 3-2 em clima de festa abria excelentes perspetivas aos leões para os oitavos-de-final da Taça de Portugal que iam disputar-se a duas mãos com o... Benfica.

Pois bem, uma semana depois, outra vez no Jamor e com o Sporting como visitado, a equipa leonina ganhou vantagem com um triunfo por 3-2. Uma semana volvida realizou-se a segunda mão, outra vez no Estádio Nacional com o Benfica como equipa da casa, uma vez que o Estádio da Luz estava em construção. Nesse dia 30 de maio de 1954 foram os encarnados a vencer por 2-1, empatando assim a eliminatória 4-4. Como ainda não tinham sido "inventados" os prolongamentos e os desempates por penáltis, foi necessário realizar um terceiro jogo, em campo neutro, no dia imediatamente a seguir, uma segunda-feira à tarde.

O Estádio da Tapadinha foi o local escolhido para o tira-teimas e, apesar de ser dia de trabalho à tarde, o recinto do Atlético foi pequeno para acolher tantos adeptos. As equipas entraram em campo 24 horas depois do jogo anterior, mas nem assim os treinadores fizeram rotação nas suas equipas. O húngaro Joseph Szabo, técnico do Sporting, trocou apenas um jogador, enquanto o argentino José Alberto Valdivieso, do Benfica, mudou três peças em relação ao dia anterior.

O Benfica entrou melhor, colocou-se a vencer logo no primeiro minuto e saiu para o intervalo a ganhar por 2-1. Só que no segundo tempo, conta a edição do DN daquele dia, "pertenceu ao Sporting" e "o poder físico dos campeões veio ao de cima", que acabaram por dar a volta ao resultado e vencer por 4-2. Na crónica à partida, o DN elogiava a "aplicação total dos 22 jogadores e a sua luta contra a fadiga e o desfalecimento". É bom lembrar que naquela altura não eram permitidas substituições durante os jogos, o que terá acentuado ainda mais os problemas físicos das duas equipas.

Três épocas com dérbis consecutivos

Esta não foi a única vez que se disputaram dérbis consecutivos na história do futebol português. Em 1944/45, entre 17 e 27 de junho de 1945, realizaram-se três jogos entre os eternos rivais, todos para as meias-finais da Taça de Portugal. O Benfica foi ao Lumiar vencer o Sporting, por 2-1, e sete dias depois foram os leões a ir derrotar os encarnados ao Campo Grande, por 3-2. O jogo de desempate foi marcado para três dias depois, com o Sporting a jogar em casa e a vencer por 1-0, apurando-se assim para a final.

Na época 1958/59, outra vez nas meias-finais da Taça de Portugal, realizaram-se dois dérbis no espaço de cinco dias, com os leões a vencerem em Alvalade por 2-1 e o Benfica a garantir o apuramento para a final na Luz, com um triunfo por 3-1. Esta dose repetiu-se duas épocas depois (1959/60), mas aí foram os leões a seguir para a final da Taça com uma vitória por 3-0 em Alvalade e um empate 0-0 na Luz, sete dias depois.

A última vez que os dois rivais se enfrentaram em partidas consecutivas no calendário nacional foi em 1962/63, com os encarnados a ganharem por 1-0 em Alvalade e os leões a triunfarem por 2-0 na Luz, garantindo assim a passagem à final.

Sporting mais vezes feliz na Taça

Esta quarta-feira realiza-se a primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal no Estádio da Luz. Mas a decisão sobre quem seguirá para a final só será conhecida no dia 2 de abril em Alvalade, na partida da segunda mão. Certo é que em 35 dérbis a contar para a segunda prova mais importante do calendário nacional, o Sporting leva vantagem, pois soma 18 vitórias, contra 15 do Benfica, registando-se ainda dois empates. No entanto, os encarnados levam vantagem nos jogos que realizaram em casa, somando sete vitórias, contra três dos leões e dois empates.

No total, em 27 eliminatórias que os eternos rivais disputaram, os leões levaram a melhor em 14, contra 13 dos encarnados, mas o Benfica somou mais triunfos em finais: seis contra apenas duas do Sporting.

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