Portugal na América do Sul para ganhar experiência, ritmo… e jogos

Uma muito jovem seleção nacional já se encontra em S. Paulo onde sábado defronta o Brasil no início de uma curta digressão que ainda vai levar os Lobos a Santiago, para enfrentar o Chile, dia 16. Jogos marcam a estreia de Patrice Lagisquet ao comando do quinze português.

Terminado que está o Mundial do Japão - com uma final África do Sul-Inglaterra que reproduziu o jogo decisivo do Mundial de 2007, em França, única edição em que a seleção nacional esteve presente - alguns dos principais países ausentes da grande competição viram ser-lhes proposta, pela World Rugby, a realização de "test-matches" neste mês de novembro entre equipas do denominado "Tier 2", com a federação mundial da modalidade a suportar parte do custo das deslocações.

Aceitando o repto, Portugal partiu esta semana para uma minidigressão de duas semanas à América do Sul, na qual se incluem dois jogos diante do Brasil (este sábado, em S. Paulo, 17.30 hora portuguesa) e Chile (Santiago, no sábado seguinte, dia 16).

É a estreia, ao comando dos Lobos, do antigo ponta internacional francês Patrice Lagisquet, que terá assim finalmente oportunidade de conhecer a fundo e trabalhar mais intensamente com um grupo alargado de jogadores com vista ao European Championship que se inicia no próximo mês de fevereiro - e que marca também o arranque da caminhada com vista a tentar a qualificação da seleção nacional para o Mundial 2023, que decorrerá de novo em França...

E a primeira convocatória do técnico gaulês - que desde o final do Mundial 2015, onde esteve como adjunto de Phillype Saint-André ao leme da seleção francesa, se desligou da alta competição passando a treinar os amadores do Saint Pée (Féderal 3, o 5.º nível do râguebi francês) - traduz exatamente esse olhar para o futuro, com o lote dos 28 jogadores chamados (10 deles nunca representaram a nossa principal seleção) a ter uma média de idades de 23 anos, sendo o mais velho o ponta da Académica João Tavares, 31.

Muitos dos atletas convocados estiveram presentes, nos últimos anos, na seleção sub-20 nacional que somou três títulos europeus consecutivos e três pódios no Mundial B do escalão (2.º lugar em 2017 e 2019, e 3.º em 2018). Mas demasiada juventude e muita inexperiência são um risco que se corre ao defrontar duas seleções que vão estar perto da máxima força e apesar de colocadas abaixo de Portugal no "ranking" mundial, já comportam alguns jogadores profissionais que alinham nomeadamente na novel Rugby League norte-americana.

E para se perceber como o râguebi está a mudar na América do Sul, refira-se a realização de uma competição profissional já a partir de janeiro, onde os jovens Jerónimo Portela e Raffaele Storti - convocados agora pela primeira vez para o XV nacional - irão estar, pois assinaram por seis meses com uma franquia uruguaia. Mais dois que irão desfalcar as seleções nacionais na primeira metade do próximo ano...

Na lista incluem-se três jogadores que alinham em França (outros nomes previamente falados mostraram indisponibilidade face aos compromissos das respetivas equipas, circunstância que se continua a repetir e da qual não se vê saída favorável às cores nacionais): o pilar Lionel Rodrigues (Anglet), o 3.ª linha Helano Alberto (Nevers) e o defesa/ponta Dany Antunes (Massy), que contactado apenas ao fim da tarde de domingo, para render o lesionado Manuel Cardoso Pinto, respondeu afirmativamente tendo voado na madrugada de segunda-feira para Lisboa a tempo de poder seguir com a seleção para o Brasil.

Em sentido contrário, menção para o caso do médio de abertura José Rodrigues (CDUL), que quase em cima da partida e invocando motivos pessoais, se colocou fora da seleção - e logo ele que, com a sua experiência e valor, seria um dos mais importantes trunfos nacionais e o óbvio titular da camisola 10 de Portugal.

O selecionado português encontrou em S. Paulo um tempo instável - períodos de chuva muito forte seguidos de calor intenso - mas tem realizado bons treinos num excelente relvado. O maior problema que tem enfrentado é o trânsito caótico numa cidade de 18 milhões de habitantes. Só para termos uma ideia, num dos dias a equipa suportou um total de seis horas no meio de engarrafamentos brutais para cobrir, de manhã e à tarde, um trajeto de 12 quilómetros entre o hotel e o campo de treinos!

A equipa tem realizado treinos curtos, com os atletas a responderam bem aos novos métodos de Lagisquet, que vem mostrando ser muito rigoroso, em especial com os horários. O técnico gaulês é auxiliado pelos compatriotas Hervé Durquety e Olivier Rieg, e pelo adjunto português, o treinador do Belenenses, João Mirra. Relativamente à originalmente prevista equipa técnica nacional, apresentada em conferência de imprensa em junho, refira-se o abandono dos antigos internacionais David Penalva e Frederico Sousa (este ficará a coordenar todas as seleções exceto a principal e será o selecionador de sevens), por manifesta incompatibilidade com as ideias do técnico francês.

Refira-se que Portugal (21.º do ranking mundial) defrontou o Brasil (26.º) em três ocasiões, tendo vencido em S. Paulo (68-0) em 2013 e em Taveiro (21-17) em 2016, e perdido (25-21) no último duelo, em 2017, de novo na capital paulista. Diante do Chile (29.º) os Lobos venceram as três partidas realizadas, a mais recente das quais em novembro de 2012 em Santiago (28-22).

Convocados para a mini-digressão:

Avançados: Francisco Bruno (Direito), José Conde (CDUL), David Costa (Direito), Diogo Hasse Ferreira (Aparejadores, Espanha), Lionel Rodrigues (Anglet), Nuno Mascarenhas (Cascais), João Moreira (Agronomia), José D"Alte (Agronomia), José Madeira (Belenenses), Helano Alberto (Nevers), Frederico Couto (Benfica), João Granate (Direito), Vasco Fragoso Mendes (Direito), Manuel Picão (Coimbra), José Roque (CDUL) e David Wallis (Belenenses).

Médios/Três-quartos: Duarte Azevedo (Belenenses), João Belo (CDUL), Pedro Lucas (Técnico), João Maria Lima (Agronomia), Jerónimo Portela (Direito), Tomás Appleton (CDUL), Tomás Cabral (Agronomia), António Vidinha (Cascais), Simão Bento (Técnico), Raffaele Storti (Técnico), João Tavares (Coimbra) e Dany Antunes (Massy).