Pichardo perde o pódio no último ensaio e por quatro centímetros

Atleta luso-cubano ficou perto da segunda medalha para Portugal nos Mundiais de Doha, no triplo salto, depois da prata de João Vieira nos 50 km marcha

Pedro Pablo Pichardo esteve quase a conquistar este domingo a sua primeira medalha de sempre para Portugal e a segunda da seleção nacional nos Mundiais de atletismo que estão a decorrer em Doha, no Qatar.

O atleta nascido há 26 anos em Cuba esteve quase sempre em posição de medalhas, tendo saltado 17,62 metros, mas no último ensaio foi ultrapassado pelo burquinense Hugues Fabrice Zango (17,66), numa fase em que já estava atrás dos norte-americanos Christian Taylor (17,92) e Will Claye (17,74).

Pichardo até melhorou a sua melhor marca de 2019, os 17,53 metros obtidos em Londres a 20 de julho, mas viu Claye e Taylor confirmarem o favoritismo e Hugues Fabrice Zango bater o seu recorde nacional, que antes era de 17,58. A dupla dos Estados Unidos não só têm as melhores marcas do ano como são detêm duas das três melhores marcas de todos os tempos - 18,21 no caso de Taylor (em 2015), 18,14 no de Claye (2019).

Na qualificação Pichardo, que pode representar as cores lusas desde 1 de agosto, tinha dado indicadores de estar a atravessar um bom momento de forma, tendo obtido a melhor marca, 17,38 metros, optando até por não fazer mais nenhum salto. Apenas ele e o burquinense Hugues Fabrice Zango (17,17) tinham saltado mais de 17 metros. Nélson Évora ficou a sete segundos do apuramento para a final, ao saltar 16,80 metros - o turco Mecatí Er fez 16,87.

Naturalizado em oito meses

Pedro Pablo Pichardo chegou a Portugal em abril de 2017 para representar o Benfica, tendo adquirido a nacionalidade portuguesa oito meses depois, num processo que desagradou a Nélson Évora. "Foi feito por questões clubísticas e com o objetivo de ataque pessoal quando não houve nenhuma má intenção da minha parte na mudança de um clube para o outro. Foi o próprio clube que foi negligente com a minha pessoa. Não sei porque é que deram a volta ao mundo para fazer esta borrada. Por interesses clubísticos fizeram-se coisas inacreditáveis. O Sporting é conhecido por dar a nacionalidade à Naide Gomes, que quase nasceu em Portugal, e ao Francis Obikwelu, que desertou aqui no Campeonato do Mundo de juniores. Até serem portugueses passaram por um processo, perderam competições. Por isso, deixou-me um pouco indignado. Não só pelas madrugadas que perdi [para obter a sua naturalização aos 18 anos], mas também pelas pessoas que estão aqui há muitos anos a lutar pela nacionalidade e não conseguem", afirmou em janeiro deste ano ao Jornal do Sporting.

A estreia do luso-cubano por Portugal, porém, só ocorreu há mês e meio, na I Liga das Nações, mas Pichardo não demorou a dar o seu contributo ao atletismo português, tendo vencido a prova de triplo salto com 16,98 metros, ajudando o atletismo luso a ascender à Superliga europeia.

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