Paulo Pereira sem medo das expectativas elevadas para o Europeu

A equipa das quinas concentrou-se hoje em Rio Maior, onde vai preparar a fase final da competição. Portugal volta a um europeu 14 anos depois. Gilberto Duarte é baixa por lesão. O campeonato da Europa vai ser disputado entre 9 e 26 de janeiro de 2020, na Noruega, Áustria e Suécia.

O selecionador português de andebol, Paulo Pereira, assumiu ter expectativas elevadas para o regresso da seleção lusa à fase final de Europeus, em janeiro de 2020. "Temos expectativas elevadas e não temos medo delas, embora todos saibamos que o sofrimento é maior quando as expectativas são exageradas e as coisas não correm bem. Temos de ser valentes e fazer com que essa expectativa seja positiva para nós e, depois, teremos o resultado que merecemos", afirmou o técnico nacional.

A seleção portuguesa iniciou hoje o estágio final de preparação para o campeonato da Europa, no qual vai defrontar, no Grupo D, a França, medalha de bronze no Mundial de 2019, a estreante Bósnia-Herzegovina e a anfitriã Noruega, finalista no último campeonato do mundo.

"A primeira meta, que já tínhamos antes do sorteio, é passar a primeira fase [qualificam-se os dos primeiros de cada grupo]. Depois, conseguir melhorar o melhor resultado em Europeus, que foi o sétimo lugar obtido em 2000, na Croácia. Sabemos que é muito difícil, mas acredito que podemos fazer algo interessante", acrescentou Paulo Pereira.

A equipa das quinas concentrou-se hoje em Rio Maior, onde vai preparar até segunda-feira a sexta presença na fase final da competição continental, 14 anos depois da última, tendo recebido a visita do lateral esquerdo Gilberto Duarte, dos franceses do Montpellier, que vai ficar de fora devido a lesão.

"Sinto que toda a gente chega com um brilhozinho nos olhos, contentes e com orgulho em representar Portugal, e o Gilberto não é exceção. Ele hoje estava triste, porque pelo que fez pela seleção não merecia estar de fora, mas temos de pensar em alternativas e em jogadores mais jovens que possam dar o seu contributo", vaticinou o selecionador.

Paulo Pereira reiterou o empenho no trabalho, no treino e na preparação da equipa, tendo em vista os três primeiros jogos do Europeu, que vão ser disputados na cidade norueguesa de Trondheim, a fim colher resultados positivos.

"Vamos ter de encontrar um ponto de equilíbrio entre a euforia, de irmos ao Europeu, e a razão, o compromisso e a concentração, para a aplicação do modelo e do plano para os jogos. Não estou ansioso, perdemos tempo se nos centrarmos no resultado, porque temos o que merecemos, pelo que temos de pensar no nosso trabalho", frisou.

O também lateral esquerdo Alexandre Cavalcanti apenas vai integrar os trabalhos da seleção no sábado, após recuperar de uma síndrome gripal, perfazendo os 21 convocados para o estágio, dos quais três vão ser excluídos da seleção final. "São os jogadores que me vão dizer", ironizou Paulo Pereira, para, depois, admitir que "vai ser um pouco difícil" fazer esta escolha.

Portugal estreia-se no Europeu em 10 de janeiro, frente à França, defronta dois dias depois a Bósnia-Herzegovina e encerra o Grupo D em 14, perante a anfitriã Noruega. O campeonato da Europa vai ser disputado entre 9 e 26 de janeiro de 2020, na Noruega, Áustria e Suécia.

Jogadores orgulhosos e confiantes

Os jogadores da seleção portuguesa de andebol admitiram o orgulho pela presença no Europeu da modalidade, em janeiro de 2020, revelando a ambição de feitos grandiosos na competição.

"Queremos fazer algo bonito neste campeonato da Europa, depois de tantos anos ausentes. Queremos mostrar a qualidade do nosso andebol e acho que vamos fazê-lo bem", sublinhou Tiago Rocha, pivô do Sporting e capitão da equipa das quinas. "São três equipas de renome internacional, três grandes seleções, mas queremos fazer o nosso melhor. Já ganhámos à França e porque não, agora, ganhar à Noruega e à Bósnia-Herzegovina e, novamente, à França", frisou Tiago Rocha, rejeitando mais responsabilidade por ser o melhor marcador dos convocados do selecionador Paulo Pereira: "Se não marcar e ganharmos fico satisfeito na mesma".

O central do FC Porto Miguel Martins concordou no "momento grandioso para o andebol português", recorrendo à situação atual da modalidade para poder "pensar em grande". "Estamos unidos para tentar levar de vencido o primeiro jogo, tentar vencer a Bósnia-Herzegovina e, quem sabe, a Noruega, para passarmos este grupo. Acho que este grupo tem muita qualidade e é assim que temos de pensar se quisermos alcançar algo grandioso", reiterou.

O também central dos dragões Rui Silva reconheceu o "sentimento especial" e a concretização de um "sonho" com o regresso de Portugal às grandes competições, 14 anos depois, enquanto o lateral esquerdo Salvador Salvador, do Boa-Hora, assumiu o "privilégio enorme" pela primeira chamada à seleção principal.

João Ferraz, lateral direito dos suíços do Suhr Aarau, também exaltou o "orgulho" com a possibilidade de "jogar com as melhores equipas", reconhecendo a necessidade de os jogadores se abstraírem das dificuldades provocadas pelas poucas horas de luz solar na Noruega.

Na fase final de recuperação de uma lesão no joelho esquerdo, o ponta direito do FC Porto António Areia atestou a sua disponibilidade física para o Europeu, sublinhando, igualmente, a ambição."Acho que se não está a 100%, está perto, portanto, se for opção para jogar, vou estar acima dos 100% (...). É uma prova nova para muitos de nós, para a qual olhamos com muita ambição. Vamos encarar a fase de grupos jogo a jogo, para ganhar", sentenciou.

O guarda-redes Alfredo Quintana revelou a vontade de iniciar a competição, para mostrar o valor da equipa lusa: "Quero é que comece, para dar grandes alegrias aos portugueses. Nós jogamos com os melhores e temos de provar que estamos entre os melhores".

Mais experiente, e a seis dias de completar 42 anos, em 1 de janeiro de 2020, o também guarda-redes Humberto Gomes confirmou o discurso."É um grande orgulho, um sonho tornado realidade. Acho que, passados tantos anos, Portugal já merecia estar num Europeu. Chegou a altura e vamos com muita vontade de mostrar o valor do andebol português", rematou o guardião do ABC.

Presente no Europeu de 2004, na Eslovénia, Humberto Gomes falhou a última participação, na Suíça, dois anos depois, em detrimento de Ricardo Figueiras e Miguel Fernandes, mas, mesmo assim, diz sentir-se "um felizardo" por ter esta "história para contar", que pensa abrilhantar. "Acho que temos uma fornada de jogadores fantásticos, que gostam muito de andebol e querem mostrar a toda a Europa que temos valor. Isso tem-se visto com os resultados dos clubes, nomeadamente o Sporting e o FC Porto, e queremos fazer um brilharete", concluiu.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG