O grande exemplo do Sp. Covilhã. Alinhou com oito jogadores para ficar em igualdade com o adversário

O jogo de domingo entre duas equipas juvenis tornou-se um exemplo de desportivismo. O Vila Velha de Ródão só tinha oito jogadores disponíveis e o Sp. Covilhã decidiu jogar com o mesmo número de atletas. "Não me sentiria bem ganhando a jogar com 11 contra oito", disse o treinador dos serranos.

Um jogo de juvenis disputou-se neste domingo com apenas 16 jogadores em campo, porque o Vila Velha de Ródão só tinha oito futebolistas disponíveis e o Sporting da Covilhã, numa atitude de solidariedade, decidiu jogar em igualdade numérica.

Durante o encontro da sexta jornada do Campeonato Distrital de Castelo Branco, o Vila Velha de Ródão ficou reduzido a sete atletas, por lesão, e o treinador serrano optou por fazer sair mais um jogador, para continuar a partida com o mesmo número de unidades nas duas formações.

O Vila Velha de Ródão, sem nenhum juvenil de segundo ano e com quatro iniciados em campo, perdeu por 13-0 em casa, mas o treinador do Sporting da Covilhã considerou que, sobretudo nos escalões de formação, tão ou mais importante do que os resultados são os valores transmitidos.

"Temos de dar o exemplo. Toda a gente gosta de ganhar, mas não me sentiria bem ganhando a jogar com 11 contra oito. Sabendo as condições do nosso adversário, estaríamos a ir contra o princípio desportivo" sublinhou, em declarações à agência Lusa, José Rosa, técnico do Sporting da Covilhã.

A situação foi inédita para o treinador dos 'leões da serra', de 27 anos, mas a decisão pareceu-lhe óbvia. "Damos cultura futebolística, mas nestas idades também ajudamos a moldar pessoas, a criar personalidade, a transmitir princípios. Se começássemos com 11, o mais certo era o jogo acabar mais cedo", frisou José Rosa.

O Vila Velha de Ródão, com dificuldades de recrutamento num meio pequeno, tem 17 jogadores no plantel. O clube sabia que no dia da partida não contava com cinco, um estava lesionado e três adoeceram. Duas semanas antes, foi pedido ao Covilhã para adiar o jogo, mas a data pretendida já estava ocupada.

João Inácio, 49 anos, preferia que os serranos se tivessem disponibilizado para jogar em outra data, mas elogiou o gesto do técnico adversário, numa situação que nunca tinha vivido em mais de duas décadas de carreira como treinador.

Pensou em não jogar, mas uma eventual multa dissuadiu-o. O encontro acabaria nos primeiros minutos, caso a sua equipa ficasse sem dois jogadores. Perderiam apenas por três golos de diferença, mas João Inácio entendeu que não estaria a dar o sinal correto para a formação dos jovens.

"A iluminação do estádio é boa, podíamos jogar numa altura qualquer. No entanto, tenho de louvar a atitude do treinador do Covilhã. Nunca me tinha acontecido", enfatizou, à agência Lusa, o técnico do Vila Velha de Ródão, sétimo classificado.

Enquanto os seus jogadores alinharam durante os 90 minutos, o Covilhã, segundo na tabela classificativa, rodou toda a equipa.

José Rosa notou que um encontro muito desnivelado no marcador pode resvalar no aspeto disciplinar, mas elogiou o comportamento dos jogadores adversários. A partida teve apenas três ou quatro faltas e não foi mostrado qualquer cartão. Nem o branco.

O treinador do Covilhã entende ser uma situação passível de reconhecimento com o cartão mostrado por comportamentos eticamente relevantes, mas assegurou tal não lhe ter "passado pela cabeça" na altura.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG