O esquema usado pela Rússia: um agente secreto disfarçado de canalizador

Os esquemas que levaram Agência Mundial Antidopagem a banir a Rússia das competições Olímpicas e mundiais durante quatro anos.

Os serviços secretos russos terão infiltrado no laboratórios dos Jogos Olímpicos de inverno de Sochi (Rússia, 2014) onde eram efetuados os controlos antidoping um agente disfarçado de canalizador que roubou amostras de urina de atletas que poderiam acusar o consumo de doping e as substituiu por outras "limpas".

Este esquema é um dos exemplos conhecidos da forma como as autoridades desportivas russas atuaram durante anos e que levaram agora a Agência Mundial Antidopagem (AMA) a banir o país das competições desportivas internacionais durante quatro anos por causa das violações reiteradas das leis antidoping de 2011 a 2015. A decisão foi "tomada por unanimidade" depois de uma exaustiva investigação sobre os métodos usados pelos russos para fugir e contornar controlos com a ajuda das autoridades estatais.

O castigo conhecido na manhã desta segunda-feira tem por base alguns relatórios oficiais. Um deles, da comissão independente da AMA liderada pelo advogado Richard McLaren, concluiu que em 2016 mais de 1400 testes e amostras foram destruídos pelo laboratório de Moscovo para esconder o rastro de um esquema de dopagem que contava com a colaboração de vários médicos e staff do laboratório. Segundo o relatória McLaren a rede contava com a conivência de elementos da agência russa antidopagem, que aceitavam subornos, intimidavam agentes responsáveis pelo controlo, bem como as suas famílias e alertavam os atletas antes da realização dos testes.

E tudo isto com a 'supervisão' de membros do Serviço Federal de Segurança - agência russa de serviços de informação e inteligência -, uma presença assídua nos laboratórios. O que segundo a comissão só mostra "a interferência e intimidação direta" por parte do Estado russo, num esquema gerido pelo ministro dos desportos da Rússia entre 2008 e 2016, Vitaly Mutko.

O cérebro de toda esta operação - o chamado Método do Desaparecimento Positivo - foi Grigory Rodchenkov, o químico que arranjou forma de manipular os testes e que era o chefe do laboratório antidoping da Rússia. A fraude, que transformou em negativos pelo menos 312 amostras positivas de vinte desportos, era diretamente controlada e supervisionada pelo ministério do Desporto da Rússia.

As autoridade russas defenderam que o antigo chefe do laboratório antidopagem de Moscovo, Grigori Rodtchenkov, responsável pelas primeiras revelações sobre o caso e atualmente refugiado nos Estados Unidos, distribuiu por conta própria produtos dopantes e manipulou os testes. E o Kremlin prometeu afastar todos os envolvidos.

Mas um outro relatório especifica o esquema usado nos Jogos Olímpicos de inverno de Sochi (Rússia) em 2014 e que era particularmente engenhoso. Nesses Jogos nenhum atleta russo foi apanhado, mas, os relatórios apontam para que, pelo menos 15 russos medalhados terão competido sob o efeito de substâncias proibidas.

Antes da competição, os atletas forneciam amostras de urina sem substâncias dopantes, que eram guardadas em câmaras congeladoras pelas autoridades russas. Os atletas eram injetados com substâncias dopantes e durante a competição, forneciam novamente amostras de urina, sob a vigilância dos controladores antidoping. Amostras essas que eram roubadas durante a noite e levadas por um agente dos serviços secretos, disfarçado de canalizador. No seu lugar eram colocadas as amostras limpas que tinham sido congeladas.

Tirar o maior rendimento possível do atleta

Com a finalidade de ter um melhor rendimento desportivo, os futebolistas russos snifaram amoníaco durante o Mundial 2018. Fonte da federação russa terá admitido ao jornal alemão, Bild, que um dos suplentes que entrou durante o jogo dos oitavos-de-final com a Espanha terá cheirado uma bola de algodão molhada em amoníaco.

O amoníaco, apesar de estimular a respiração e melhorar o fluxo de oxigénio no sangue, não é uma substância proibida pelos regulamentos internacionais de antidopagem, mas foi mais um exemplo das práticas russas pouco recomendáveis.

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