Após polémica com multicampeã olímpica, Nike promete não penalizar atletas grávidas

Marca tinha oferecido à velocista Allyson Felix um contrato 70 por cento inferior ao anterior, quando a norte-americana engravidou, o que foi denunciado pela atleta. Agora, a Nike faz um mea culpa e introduz uma nova política contratual não discriminatória

Alysson Felix tem um currículo invejável: seis vezes campeã olímpica e 12 vezes campeã mundial (ao ar livre e em pista coberta), além de várias medalhas de prata e bronze. No ano passado decidiu ser mãe e pediu garantias à sua patrocinadora, a Nike, de que não iria ser penalizada pelo seu desempenho nos meses anteriores e posteriores ao parto, mas a resposta foi negativa.

A sua filha, Camryn, nasceu em novembro do ano passado e, em maio, a velocista norte-americana de 33 anos denunciou ao The New York Times a discriminação de que ela e outras atletas mães foram alvo, contando que a Nike lhe tinha oferecido um novo contrato 70 por cento inferior ao anterior em termos de valores. "Nós, atletas, temos demasiado medo de dizer publicamente que se tivermos filhos corremos o risco dos nossos patrocinadores nos cortarem o salário durante a nossa gravidez e mesmo depois. É um claro exemplo de uma indústria desportiva onde as regras estão feitas maioritariamente por homens", referiu na altura.

No final de julho, quando voltou a competir, 13 meses depois, Allyson Felix colocou um ponto final nas negociações com a Nike para obter um novo contrato e assinou com a Athleta, uma marca de roupa desportiva que nunca tinha patrocinado atletas.

Agora, meses depois da denúncia pública, a especialista em 100, 200 e 400 metros, distâncias em que se destaca também em estafetas, revelou que a sua voz foi escutada e que a Nike voltou atrás, exibindo uma carta que lhe foi enviada pelo vice-presidente de marketing global da marca a anunciar uma nova política contratual não discriminatória.

"As nossas vozes são poderosas", escreveu logo no início da descrição da imagem, dando a conhecer a nova política da Nike em oferecer proteção maternal às atletas.

"Se a atleta ficar grávida, a Nike não pode aplicar nenhuma redução relacionada com o desempenho (se tal ocorrer) por um período consecutivo de ano e meio, começando oito meses antes da data do parto. Durante o dito período, a Nike não pode rescindir nenhum contrato se a atleta não competir devido à gravidez", pode ler-se no e-mail enviado por John Slusher.

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