Nakajima, Rafa, Bebé, Fabinho e Ghilas. Quando os milhões não tocam só aos três grandes

O avançado japonês vai assinar pelo Al Duhail, do Qatar, e tornar-se a maior venda da equipa algarvia. Saiba quais foram os maiores negócios feitos pelos atuais clubes da I Liga extra três grandes. Uns são recentes, outros nem por isso.

Shoya Nakajima, 24 anos, está a caminho do Al Duhail, clube qatari treinado pelo português Rui Faria, num negócio que vai render milhões à SAD do Portimonense - a imprensa japonesa noticiou que a operação podia chegar aos 35 milhões de euros. Os verdadeiros contornos da operação ainda não são conhecidos (surgiram até notícias de que o PSG poderia estar por detrás deste negócio), mas uma coisa é certa: o avançado japonês vai render um bom jackpot ao clube algarvio.

Nakajima chegou ao emblema algarvio no verão de 2017, cedido pelo FC Tokyo. O Portimonense ficou logo na altura com 20% do passe e mais recentemente adquiriu o restante. As boas atuações do atacante japonês chamaram a atenção dos três grandes de Portugal e de vários clubes europeus, caso do Wolverhampton. Mas por uma ou outra razão, o negócio nunca se concretizou. Até este final de janeiro, com o clube qatari a avançar para a contratação, que deverá ser oficializada em breve.

Embora não se saiba ao certo por quanto se vai fazer a transferência, uma coisa é certa: Nakajima vai tornar-se a maior venda de sempre do Portimonense, superando os cinco milhões de euros que os algarvios receberam do Urawa Reds por Fabrício, no verão de 2018.

As maiores transferências de sempre envolvendo clubes portugueses pertencem a FC Porto, Benfica e Sporting - Hulk, que deixou os dragões rumo ao Zenit por 60 milhões, é ainda hoje o maior negócio. E fora do círculo dos três grandes? Quais foram as maiores transferências feitas pelos clubes que estão atualmente na I Liga? Com base nos dados disponíveis no transfermarkt.com, site especializado no mercado de futebolistas, o DN foi pesquisar quais foram as maiores transferências feitas por emblemas portugueses sem os três grandes envolvidos.

Logo a seguir a FC Porto, Benfica e Sporting, a SAD do Sporting de Braga é a que tem realizado maiores encaixes financeiros. A maior venda de sempre do clube presidido por António Salvador é Rafa Silva, que na temporada 2016-2017 assinou pelo Benfica a troco de 16 milhões de euros, ainda hoje o maior negócio feito entre dois clubes portugueses. Mas houve mais operações que deixaram os cofres arsenalistas recheados. No último verão, Danilo foi vendido ao Nice por 10 milhões e há duas épocas Rui Fonte transferiu-se para o Fulham por nove. Aderllan Santos, em 2015-2016, rumou ao Valência por 9,5 milhões e antes, Pizzi, hoje no Benfica, tinha saído para o Atlético de Madrid por 13,5 milhões de euros.

No Vitória de Guimarães, o maior jackpot continua a ser Bebé, que em 2010-2011, numa transferência a todos os títulos surpreendente, deixou o berço rumo ao Manchester United por 8,8 milhões de euros. Mas o clube minhoto assegurou ainda outros importantes encaixes. No último verão conseguiu 10,5 milhões de euros com as vendas de Raphinha ao Sporting (6,5 milhões de euros) e do marfinense Ghislain Konan ao Stade de Reims (quatro milhões). Mas já na temporada anterior tinha negociado Bruno Gaspar para a Fiorentina por quatro milhões, em 2016-2017 Tiquinho Soares para o FC Porto (5,6 milhões) e na época 2015-2016 vendeu Bernard Mensah ao At. Madrid por seis milhões. Outro bom negócio foi feito há 10 anos, com Geromel a transferir-se para o Colónia, a troco de 4,5 milhões de euros. E há ainda a venda de Fernando Meira ao Benfica, em 2000-2001, por quatro milhões.

Em Vila do Conde também se fez bons negócios. O maior foi a venda de Pelé ao Mónaco, no verão passado, por 10 milhões de euros, mas como o passe do jogador era detido a meias entre o Rio Ave e o Benfica, cada clube recebeu cinco milhões de euros. Antes disso, os vilacondenses negociaram Krovinovic para o Benfica por 3,5 milhões de euros e Roderick Miranda para o Wolverhampton por três milhões. Mas a maior operação aconteceu em 2015-2016, com um jogador que curiosamente nunca vestiu a camisola do clube. O médio brasileiro Fabinho, hoje no Liverpool, foi contratado pelo Rio Ave em 2012. Foi depois cedido ao Real Madrid, onde começou por representar o clube satélite, o Castilla. Ainda fez um jogo pela equipa principal dos merengues e foi depois cedido ao Mónaco, clube que acabou por comprar o passe do brasileiro por seis milhões de euros.

Em Chaves, os maiores negócios da história do clube foram ambos realizados neste mês de janeiro, com o clube transmontano a conseguir um significante encaixe com as vendas dos passes de Marcão e Stephen Eustáquio. O primeiro rumou ao Galatasaray, por quatro milhões de euros; o segundo foi contratado pelo Cruz Azul, do México, treinado por Pedro Caixinha, por 3,5 milhões de euros.

Os melhores negócios feitos pelo Boavista foram já há algum tempo. O clube esteve vários anos nos escalões secundários, resultado do processo Apito Final, e só mais recentemente voltou ao convívio entre os grandes. Por isso, a transferência de Jimmy Hasselbaink para o Leeds United, de Inglaterra, é ainda hoje a maior operação feita pelo clube - rendeu quase três milhões de euros, na temporada 1997-1998. Antes desta transferência, contudo, houve outro grande negócio para a altura (1992-1993), quando João Vieira Pinto rumou ao Benfica por 2,5 milhões de euros. Já neste milénio, em 2007-2008, Roland Linz trocou o Bessa por Braga por dois milhões de euros.

A transferência do médio internacional português Danilo Pereira para o FC Porto, em 2015-2016, é ainda hoje o maior negócio feito pelo Marítimo. Na altura, já muito cobiçado, os dragões pagaram 4,5 milhões de euros pelo jogador. Na mesma época, Marega deixou também o conjunto insular rumo ao FC Porto, a troco de 3,8 milhões de euros. O sul-coreano Suk, que mais tarde viria a jogar no Dragão, começou a carreira em Portugal no Marítimo, que o vendeu a um clube saudita em 2013-2014 por três milhões de euros. O mesmo valor que o Sevilha pagou por Baba Diawara, em 2011-2012. Antes, o clube presidido por Carlos Pereira tinha negociado Pepe e Léo Lima para o FC Porto, cada um por dois milhões de euros, e vendeu Danny ao Sporting em 2002-2003 pelo mesmo valor. Outro negócio merecedor de destaque foi a transferência de Derley para o Benfica, em 2014-2015, por 2,5 milhões de euros.

O Belenenses, numa altura em que o clube ainda não estava dividido, conseguiu um dos maiores negócios da sua história há mais de 10 anos (época 2007-2008), quando Dady foi vendido ao Osasuna, da Liga espanhola, por 3,5 milhões de euros. Mais recentemente, o clube da Cruz de Cristo conseguiu um encaixe igual, ao negociar Edgar Ié para o Rennes. Também na temporada em que Dady saiu para o futebol espanhol, Nivaldo rumou ao Saint-Étienne por três milhões de euros. Mais recentemente, mas por valores inferiores, Gerso transferiu-se para o Kansas City, dos EUA por 1,5 milhões, e Deyverson para o Levante por 1,8 milhões de euros.

O percurso do Tondela na I Liga tem poucos anos. O clube do distrito de Viseu só chegou ao escalão maior do futebol português na temporada 2015-2016. E foi precisamente na temporada transata que realizou as maiores operações envolvendo jogadores. O venezuelano Yordan Osorio rumou ao FC Porto a troco de um milhão de euros e Miguel Cardoso assinou pelo Dínamo de Moscovo, com os tondelenses a receberem meio milhão de euros.

O Moreirense realizou três transferências que merecem destaque. A primeira, a que rendeu mais aos cofres do clube de Moreira de Cónegos, aconteceu na temporada 2013-2014. Nabil Ghilas, avançado argelino que tinha dado nas vistas pela quantidade de golos, mereceu a atenção do FC Porto, que pagou 3,8 milhões de euros. Mais recentemente, o clube minhoto encaixou dois milhões de euros com a venda de Boateng ao Levante, de Espanha, e no início da época 2,5 milhões com a ida de Alfa Semedo para o Benfica.

O Feirense também só recentemente fez encaixes financeiros significativos. O guarda-redes Vaná transferiu-se para o FC Porto por um milhão de euros e no verão Etebo rumou ao futebol inglês, com destino ao Stoke City, por 7,2 milhões de euros.

Dos clubes do baixo da tabela, o Nacional, da Madeira, tem sido dos emblemas que mais negócios e lucro tem feito. À cabeça está uma operação realizada na temporada 2009-2010, que envolveu a transferência do avançado brasileiro Nenê para o Cagliari, de Itália, que permitiu ao clube receber 4,5 milhões de euros. Em 2012-2013 um novo negócio, outra vez para Itália, com Luís Neto a ser vendido ao Siena por 3,7 milhões. E antes, Rúben Micael tinha rumado ao FC Porto por três milhões. Mais recentemente, na temporada 2016-2017, o clube presidido por Rui Alves fez uma dupla operação que deixou vários milhões na Madeira: Marco Matias e Lucas João foram vendidos ao Sheffield Wednesday, de Inglaterra. O primeiro por 3,1 milhões e o segundo por 2,8 milhões.

No Vitória de Setúbal, a operação financeira que rendeu mais dinheiro ao clube já foi feita há uns bons anos, quando em 1994-1995, Rasheed Yekini rumou ao Olympiacos, da Grécia, por 2,7 milhões de euros. De então para cá, os sadinos realizaram mais alguns negócios lucrativos, casos da venda de Rúben Vezo aos espanhóis do Valência, por 2,05 milhões de euros, e de Paulo Ferreira ao FC Porto, esta ainda na temporada 2002-2003, por dois milhões de euros. Em 2015-2016, o emblema de Setúbal ainda lucrou 1,5 milhões com a venda do sul-coreano Suk ao FC Porto e, em 2017-2018, Fábio Cardoso rumou ao Rangers pela mesma verba.

O Santa Clara, grande representante dos Açores, regressou só esta época ao convívio entre os grandes, depois de 15 anos na II Liga. E já neste mês de janeiro fez um dos maiores negócios da sua história, com a venda do avançado Fernando Andrade ao FC Porto por 1,5 milhões de euros.

Por último, o Desportivo das Aves, cujos maiores negócios conhecidos não chegaram a atingir o milhão de euros. A transferência mais cara deu-se no início desta temporada, com a saída de Alexandre Guedes para o V. Guimarães, por 700 mil euros. O mesmo valor que o Everton pagou em 2010-2011 para levar João Silva. Depois desta temporada há ainda um negócio envolvendo Hamdou Elhouni para o Esperance Tunis (0,5 milhões) e de Fábio Martins para o Sp. Braga (0,4) em 2014-2015.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG