Motim no Bayern contra Kovac. "Não estamos em Frankfurt"

A frase do título é atribuída a James Rodríguez, que a terá dirigido durante uma discussão com o treinador Nico Kovac, no olho do furacão em Munique após quatro jogos sem ganhar e ser questionado pelo plantel quanto aos métodos

Longa vida leva Nico Kovac em Munique. O treinador que chegou com uma bagagem de bom futebol e bons resultados no Eintracht de Franfurt, coroado com a conquista da Taça da Alemanha contra aquele que já tinha sido anunciado o seu futuro clube, o poderoso Bayern, já fez fez onze jogos pelos monopolizadores do futebol alemão. Onze jogos, uma vida?

Sim. Jogadores a questionarem os métodos e as práticas do treinador, o presidente a avisá-lo que a política de rotatividade de atletas ainda lhe pode custar o lugar, os últimos quatro jogos sem vitórias. Há um motim contra o treinador em desenvolvimento no Bayern de Munique. E a única defesa que chegou publicamente foi do anterior clube.

"Para ter êxito, precisa de apoio. Deve ter as costas protegidas", comentou estes dias o diretor desportivo do Eintracht de Frankfurt, Na Baviera, antes ainda do dramático quarto jogo sem ganhar (0-3 em casa diante do Borussia de Moenchengladbach, uma derrota sem marcar em casa que já não acontecia desde 9 de maio de 2015 - 0-1 frente ao Augsburgo), o presidente Uli Hoeness deu uma no cravo, outra na ferradura.

"Tem havido muita rotação de jogadores e, desde então, há algo ligeiramente mal connosco, mas não acho que seja dramático", disse à revista inglesa Four Four Two o presidente Uli Hoeness. "É uma decisão do treinador e, no fim, é ele quem está a meter o pescoço no cepo pelas decisões", acrescentou. E finalizou: "De momento, temos alguns problemas, mas é normal. Não entendo a perceção pública: há 10 dias dizia-se que as restantes equipas da Bundesliga jogavam para o 2.º lugar e agora, de repente, está tudo mal connosco?".

Tudo, tudo, não estará. Mas depois dessas declarações, houve quatro episódios a sugerir o levantamento de um motim no balneário. Logo a seguir, o Bild, mensageiro das desgraças (e não só) do colosso alemão, dava conta de uma discussão entre Kovac e o insatisfeito James Rodríguez, que se sente pouco utilizado a valorizado. A querela ficou marcada por uma frase do colombiano. "Não estamos em Frankfurt", atirou o ex-jogador do FC Porto após ser substituído, novamente, no empate (1-1) na Allianz Arena frente ao Ajax, para a Liga dos Campeões (no grupo do Benfica, que nesse dia ganhou em Atenas ao AEK, por 3-2).

E não é Frankfurt, seguramente. O mesmo jornal adiantou que a direção do Bayern rejeitou avançar para dois jogadores que Kovac entendia serem essenciais para dar solidez ao plantel, o avançado Ante Rebic (do... Eintracht de Frankfurt) e o defesa Kevin Vogt, capitão do Hoffenheim. Estado do plantel bávaro: Kingsley Coman e Corentin Tolisso são baixas de longa duração, a única alternativa aos laterais direito e esquerdo é Rafinha. Está lesionado.

Na quinta-feira, Kovac foi assistir ao jogo da Euroliga de basquetebol entre o Bayern de Muique e os turcos do Anadolu Efes. E foi recebido por uma tremenda vaia dos adeptos.

Para culminar, na edição deste sábado, o Bild diz que os jogadores estão profundamente descontentes com os métodos de Nico Kovac, que impõe 20 minutos de bicicleta após as sessões de treino e dos jogos. O jornal acrescenta que há mesmo alguns atletas a seguirem uma espécie de plano individual alternativo de treino. Para cúmulo, segundo o peródico, parece que Kovac privilegia as conversas em croata com os membros da equipa técnica (entre eles, o irmão Robert).

Os jogadores consideram uma falta de respeito para com eles, até porque Kovac domina fluentemente o alemão, e já se dizem cansados dos métodos peculiares de Niko Kovac, que neste momento mantêm a equipa no 6.º lugar da Bundesliga a quatro pontos do líder Dortmund.

Onze jogos podem ou não ser uma vida longa e penosa? É esperar pelas cenas dos próximos capítulos de um aparente folhetim que se vive na Baviera.

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