Michael Schumacher. Mais um ano e o mistério continua entre rumores e meias verdades

Estado físico e mental do heptacampeão de F1 continua envolto em segredo cinco anos após o acidente de esqui que o deixou em coma. Há quem diga que está em estado vegetativo e só reage e estímulos, outros garantem que já não se encontra acamado nem precisa de ventilador.

A 29 de dezembro de 2013, faz este sábado cinco anos, a vida de Michael Schumacher mudou. O sete vezes campeão do Mundo de Fórmula 1 entre 1994 e 2004 (pela Benetton e Ferrari) sofreu um acidente e deixou o Mundo em suspenso durante dias. O piloto alemão bateu com a cabeça numa rocha quando esquiava nos Alpes franceses e sofreu um grave traumatismo craniano. Ficou meses em coma induzido, mas terá acordado meses depois e ficado em estado vegetativo. Mas será que é mesmo assim? Hoje, cinco anos após o fatídico acontecimento, pouco ou nada se sabe sobre o seu real estado de saúde. A contra informação é muita e a mentira faz parte da verdade e vice-versa. Sabe-se apenas que está na sua casa, em Gland, na Suíça, junto ao lago Genebra, num quarto sob a supervisão de uma equipa médica composta por 15 pessoas e coordenada pelo clínico Richard Frackowiak.

O assunto virou tabu entre o mundo do automobilismo. No circuito todos parecem compactuar com um silêncio que se tornou ensurdecedor em volta do estado de saúde de um dos melhores desportistas de sempre. Até o filho de Michael Schumacher, que por ser piloto está exposto aos media, evita falar do estado de saúde do pai. Antes do início do GP da Bélgica, em 2018, quando conduziu o Benetton pilotado pelo pai para comemorar os 25 anos sobre a primeira vitória de Schumacher, Mick limitou-se a dizer umas palavras de circunstância.

Apesar de todo o silêncio, este ano, houve alguns avanços e revelações que deixaram os fãs do piloto com esperança num milagre médico. O patrão da F1, Jean Todt, Corinna, mulher de Schumacher, e o arcebispo alemão Georg Gänswein, são algumas das pessoas que privam com o antigo piloto e que este ano abordaram o assunto, quer em entrevistas quer nas redes sociais. E se uns deram esperança numa recuperação, outros fizeram aumentar a dúvida sobre o real estado de saúde de Michael Schumacher.

Em novembro, o amigo íntimo da família, o arcebispo alemão Georg Gänswein, ex-conselheiro do Papa Bento XVI, disse durante uma entrevista à revista alemã Bunte que visitou Schumacher e o encontrou em estado vegetativo mas consciente: "Ele consegue sentir as pessoas em redor dele. Sentei-me à frente dele, segurei-lhe as duas mãos e olhei para ele. O rosto é, como todos sabemos, o típico rosto de Michael Schumacher, só está um pouco mais inchado. Ele sente que pessoas amorosas estão à sua volta, a cuidar dele e, graças a Deus afastando os demasiado curiosos. Uma pessoa doente precisa de discrição e compreensão."

Isto já depois de a mulher do piloto ter vindo a público, num momento incomum, falar sobre o marido, para agradecer ao músico alemão Sascha Herchebach, pela música que compôs para o piloto. "Ele é um lutador e não vai desistir", assegurou Corinna Schumacher.

Já em dezembro chegou uma notícia mais animadora para os fãs. Jean Todt, presidente da Federação Internacional do Automobilismo, confessou numa entrevista ao Auto Bild Motorsport que viu a vitória de Lewis Hamilton no Grande Prémio do Brasil ao lado do alemão. "Na realidade, sou sempre muito cauteloso quando digo alguma coisa, mas é verdade que vi o GP do Brasil na Suíça com o Michael Schumacher", contou o patrão da F1, mantendo o enigma.

Dias depois, um tabloide inglês, o Daily Mail, noticiou que Schumacher não só não se encontra acamado como já não precisa de ajuda de um ventilador para sobreviver, mas que necessita de "cuidados intensivos de enfermagem". A mesma publicação avançou ainda que os tratamentos médicos do piloto custam 50 mil euros por semana e que o alemão tem um anexo à sua casa na Suíça onde realiza os tratamentos.

Privacidade e desmentidos constantes

A privacidade de Michael Schumacher tem sido preservada a 100%. Ou quase. As exceções foram duas ou três notícias logo descredibilizadas pelo porta-voz da família. Uma primeira notícia de agosto de 2014 dava conta de um alegado roubo de um relatório médico sobre o piloto no Hospital de Grenoble que alguém terá tentado vender à imprensa. Logo depois houve um processo movido pela família a uma revista alemã que escreveu que Schumacher já conseguia andar sem a ajuda de terapeutas e que já conseguia levantar um braço. O advogado da família, Felix Damm, negou todas estas informações.

Mais recentemente, em 2016, um paparazzi teria tentado vender a vários órgãos de comunicação mundiais uma alegada fotografia do piloto na cama do hospital, exigindo um milhão de euros pela foto. Essa fotografia nunca foi publicada... ou porque não existia ou por medo de fortes represálias legais de um possível processo judicial movido pela família do piloto alemão.

O mesmo aconteceu este verão, quando a revista suíça L'Illustré noticiou que a família Schumacher ia mudar-se para a localidade espanhola de Andratx, na ilha de Maiorca, depois de comprar a Villa Yasmín, uma propriedade que pertencia ao presidente do Real Madrid, Florentino Pérez. A mudança seria depois confirmada pela presidente do município do arquipélago das Baleares, Katia Rouarch: "Posso confirmar, oficialmente, que Schumacher vai instalar-se em Maiorca e que todos estaremos preparados para o receber bem." Uma notícia que foi desmentida pela família dois dias depois, em comunicado: "A família Schumacher não tem qualquer intenção de se mudar para Maiorca."

Milhões em tratamentos e desejo de desaparecer

Manter o piloto internado em casa custa uma verdadeira fortuna. Estima-se que desde setembro de 2014, quando Schumacher deixou o hospital, a família já tenha gasto cerca de 40 milhões de euros em cuidados médicos. Nada que belisque as finanças do clã Schumacher, já que segundo a revista Forbes, o piloto terá acumulado ao longo da carreira uma fortuna avaliada em 840 milhões de euros. A verdade é que, de tempos em tempos, saem notícias sobre alguns bens de que a família tem vindo a desfazer-se nos últimos anos, como uma mansão na Noruega, perto de Oslo, que terá sido vendida por cerca de cinco milhões de euros. Ou o avião particular do piloto e um carro de marca Rolls Royce.

Este completo segredo decretado pela família de Schumacher já foi alvo de algumas críticas. Willi Weber, antigo agente do piloto alemão, foi um dos que veio a público dizer que a família deveria dar informações sobre o real estado de saúde do alemão: "Penso que é uma pena os milhões de fãs do Michael não saberem nada sobre o seu estado de saúde. Porque não dizem a verdade? A família deve dizer a verdade sobre o seu estado."

Algo que a porta-voz já tentou explicar ao mundo, embora sem muito sucesso. Sabine Kehm, citada pelo jornal Mirror, disse em 2016 que o alemão desejava "desaparecer" e iria respeitar os seus desejos e não revelar informação sobre Schumacher: "De uma forma geral a imprensa nunca teve grande acesso à vida privada do Michael e de Corinna. Quando ele estava na Suíça, por exemplo, tornava-se óbvio que não queria ser incomodado. Uma vez, numa longa conversa disse-me 'não precisas de me telefonar no próximo ano, vou desaparecer'. Acho que poder desaparecer um dia era o seu sonho secreto. É por isso que eu faço de tudo para que os seus desejos sejam cumpridos e não deixo que nada transpareça."

F1 prepara homenagem pelos 50 anos do piloto

No próximo dia 3 de janeiro, Michael Schumacher completará 50 anos de vida. O alemão é o piloto mais bem-sucedido da modalidade (91 vitórias e sete títulos mundiais) e será alvo de várias homenagens do mundo da F1 no dia em que completará meio século de vida.

O museu da Ferrari. em Maranello, Itália, por exemplo, está a planear uma exposição especial, que será inaugurada no aniversário de Schumacher e durará alguns meses, "tanto como uma celebração quanto um sinal de gratidão ao piloto mais bem-sucedido de toda a história da Ferrari".

Também a Mercedes, última equipa pela qual Schumacher correu antes de se aposentar em 2012, exibirá alguns dos seus carros no seu museu sediado em Estugarda. E a empresa que administra a Fórmula 1 dedicará uma semana ao heptacampeão nas redes sociais, incluindo entrevistas exclusivas com muitos daqueles que fizeram parte da história do piloto alemão:"Vamos comemorar o aniversário de Michael."

Já a Fundação Keep Fighting anunciou que vai lançar uma aplicação oficial dedicada à carreira de Michael Schumacher. A aplicação vai estar disponível em iOS e Android a partir de 3 de janeiro, dia em que Schumacher vai completar 50 anos, e vai permitir conhecer todos os detalhes da carreira do heptacampeão mundial. Com esta aplicação será ainda possível visitar virtualmente a exposição particular ex-piloto alemão de Fórmula 1, que está patente em Colónia.

Porque o Mundo pode não saber qual o real estado de saúde de Schumi, mas continua a querer saber...

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