Megan Rapinoe é a desportista do ano para a Sports Illustrated. A 4.ª mulher em 66 anos

Jogadora da seleção dos EUA foi campeã mundial. Gay e ativista LGBT, a americana é conhecida pelas mensagens sociais e políticas e os desafios a Trump, Ronaldo, Messi e Ibrahimovic.

Megan Rapinoe é a Desportista do Ano, segundo a revista Sports Illustrated.. A vencedora do prémio The Best (que a FIFA atribuiu à melhor jogadora do mundo) e da Bola de Outro (entregue pela revista France Football) foi assim mais uma vez distinguida pela excelente época, num ano em que se sagrou campeã mundial pela seleção dos EUA.

A distinção é ainda maior, considerando que, segundo a revista, Rapinoe é apenas a quarta mulher a vencer nos 66 anos da história do prémio. A jogadora de futebol junta-se assim Chris Evert, Mary Decker e Serena Williams como as únicas mulheres a conquistá-lo, além da seleção feminina dos EUA.

A revista destaca ainda algumas das lutas da jogadora pela igualdade de direitos entre homens e mulheres no futebol - lidera o grupo de jogadores que processou a federação americana pela igualdade de prémios - e pela comunidade gay, bem como as criticas abertas ao presidente Donald Trump e recusando visitar a Casa Branca para levar o troféu conquistado em França, após um triunfo sobre a Holanda (2-0).

Após receber o prémio não esqueceu o assunto e revelou a intenção de se envolver na campanha eleitoral das presidenciais, ao lado dos democratas. "O mais importante é tirar aquele maníaco da Casa Branca", afirmou, numa alusão ao presidente Donald Trump, acrescentando: "Se for preciso ir bater à porta das pessoas para as incitar a ir votar, fá-lo-ei."

Igual a si própria, depois de vencer as Bola de Ouro desafiou jogadores como Cristiano Ronaldo, Messi e Ibrahimovic a abraçarem a luta contra a discriminação, nomeadamente em casos de racismo e sexismo. "Apetece-me gritar: 'Cristiano, Messi, Ibrahimovic, ajudem-me!' Essas grandes estrelas não participam de nada quando há tantos problemas no futebol masculino. Terão medo de perder tudo? Podem acreditar nisso, mas não é verdade, quem tiraria Cristiano ou Messi do mundo do futebol por uma declaração contra o racismo ou sexismo?", questionou Rapinoe.

E não esqueceu a Blue Girl, a mulher iraniana condenada a seis meses de prisão por se ter mascarado de homem para ir a um estádio e que se imolou em frente ao Tribunal Revolucionário de Teerão.

Ativista LGBT, Rapinoe é uma das jogadoras que mais fala abertamente sobre a homossexualidade assumida em 2012 e elogia quem, como ela, já o fez. É é o caso de Collin Martin, o jogador da MLS que é o único homem abertamente gay nos cinco grandes desportos profissionais da América.

A jogadora também colabora com organizações como a Athlete Ally, que luta contra a homofobia no mundo do desporto, e a Common Goal, que incentiva as atletas de elite a doar 1% do salário para causas relacionadas com a justiça social. E faz questão de garantir o espaço das mulheres em entrevistas coletivas que muitas vezes são dominadas por homens, parando de responder quando eles se atropelam nas perguntas.

Por tudo isto e pelo que ganhou em campo, Megan é a personalidade do ano a nível desportivo para a Sports Illustrated.

Rapinoe também ganhou o prémio de Atleta do Ano da Women's Sports Foundation .

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