Maria Sharapova anuncia adeus: "Perdoem-me. Ténis, estou a despedir-me"

Tenista russa de 32 anos anunciou o adeus à modalidade num artigo de opinião na revista Vanity Fair. A ex-número 1 do mundo, vencedora de cinco Grand Slam, estava em curva descendente desde o caso de doping em 2016.

Maria Sharapova, 32 anos, antiga número 1 do ranking mundial, vai abandonar o ténis. A revelação foi feita pela própria tenista num artigo de opinião na revista norte-americana Vanity Fair, onde não menciona datas, mas anuncia que vai deixar a modalidade.

"Como deixar para trás a única vida que conhecemos? Como será estar longe dos campos em que treinamos desde pequenas, o jogo que amamos - um jogo que trouxe lágrimas e alegrias indescritíveis - um desporto onde encontrei uma família, junto dos fãs que me acompanharam durante mais de 28 anos? É uma sensação nova, por isso perdoem-me. Ténis - estou a despedir-me." É assim que começa o artigo de opinião escrito pela tenista russa, onde anuncia o adeus ao ténis.

Para trás fica uma carreira que a levou do céu ao inferno nos últimos anos. Chegou a ser número 1 do mundo em 2005, 2007, 2008 e pela última vez em 2012. E venceu todos os Grand Slams: Wimbledon em 2004, US Open em 2006, Open da Austrália em 2008 e Roland-Garros em 2012 e 2014. Foi ainda medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012.

Mas em março de 2016, após um caso de doping, desceu ao inferno, quando a tenista russa deu uma conferência de imprensa em que anunciou ter acusado positivo num teste antidoping durante o Open da Austrália. A substância em causa era Meldonium.

"Assumo todas as responsabilidades, os meus erros e lamento desiludir os meus fãs com tudo isto. É importante dizer que a substância não estava na lista das proibidas até ao ano passado. Tomei-a legalmente nos últimos dez anos. Em janeiro, as regras mudaram, e a substância foi proibida e eu não sabia. É o meu corpo, é o que eu coloco dentro dele. Não posso culpar quem trabalha comigo. Não quero terminar a carreira assim e espero ter outra oportunidade de jogar", justificou na altura.

Em junho chegou o veredicto. A Federação Internacional de Ténis (ITF) suspendeu Sharapova por um período de dois anos na sequência do controlo positivo por Meldonium. A russa recorreu para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) e viu a sanção reduzida para 15 meses.

O afastamento de 15 meses precipitou a sua queda no ranking WTA. Voltou a jogar a 26 de abril de 2017, como número 57 do mundo, depois de ter recebido um wild card para participar no torneio de Estugarda, convite que gerou uma enorme polémica, com várias tenistas do circuito a questionarem a escolha. Ainda neste ano disputou vários torneios, mas nenhum Grand Slam, depois de ver recusado um wild card para jogar em Roland-Garros.

Em 2018, a russa voltou à alta-roda, depois de receber um wild card para participar no Open da Austrália, onde atingiu a terceira ronda, afastada por Angelique Kerber. Depois de participações em torneios menores chegou a Roland-Garros, onde foi até aos quartos-de-final e reentrou no top 25. Em Wimbledon caiu logo na primeira ronda.

No ano passado, na Austrália, chegou à quarta ronda - foi eliminada por Ashleigh Barty - e parecia ser o ano da remontada. Mas problemas físicos e lesões atrapalharam o seu trajeto, até porque foi sujeita a uma cirurgia ao ombro direito. Ainda disputou o Open dos Estados Unidos, mas caiu logo na primeira ronda diante de Serena Williams, terminando o ano como n.º 131 do mundo.

O ano de 2020 também não começou nada bem para a tenista russa, que vai caiu para o lugar mais baixo de sempre desde que é profissional (número 373 do mundo), ao ser eliminada logo na primeira ronda do Open da Austrália. Esta curva descendente precipitou o fim, agora anunciado pela própria.

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