A rainha do esqui alpino despede-se com um bronze nos Mundiais

Aos 34 anos, com 82 vitórias em Taças do Mundo, oito medalhas em Mundiais e três medalhas olímpicas, a norte-americana Lindsey Vonn fez este domingo a sua despedida. O esqui alpino perde a sua figura mais popular

Cinco dias após a queda na competição de super-G, Lindsey Vonn foi este domingo até ao fim e juntou mais uma medalha ao seu currículo, tornando-se a mais velha esquiadora a subir ao pódio em Mundiais, com 34 anos e 115 dias, precisamente no mesmo local (Are, na Suécia) onde conseguiu, há 12 anos, os seus primeiros dois grandes resultados - prata em descida e super-G.

Vonn perdeu apenas para a eslovena Ilka Stuhec, bicampeã, e a suíça Corinne Suter. Vencedora em 2017, Stuhec, de 28 anos, tornou-se a primeira esquiadora a conservar o título mundial em descida depois da suíça Maria Walliser, campeã em 1987 e 1989.

"Dei tudo. Era tudo o que queria fazer hoje. Tenho de admitir que estava um pouco nervosa, provavelmente o mais nervosa que alguma vez estive em toda a minha vida. Queria mesmo terminar bem", afirmou Vonn.

[veja a última descida de Vonn neste vídeo:]

A norte-americana, que já tinha anunciado esta como a última prova da sua carreira, esteve na liderança durante alguns minutos, precisamente até à passagem de Stuhec, que completou a descida em 1.01,74 minutos e bateu Vonn por 49 centésimos. Pouco depois, com fracas condições de luminosidade, Corinne Suter ainda se colocou entre ambas.

Diminuída pela dor num joelho que a acompanha desde o início da época, Vonn deixa a competição com oito medalhas em Mundiais, das quais duas de ouro (descida e super-G em 2009), três medalhas olímpicas, incluindo um título (descida em 2010), e um recorde de 82 vitórias em provas de Taça do Mundo.

Por atingir fica o recorde absoluto do sueco Ingemar Stenmark, que conseguiu ganhar 86 etapas da Taça do Mundo, mas o corpo já não deixa Lindsey Vonn cumprir esse objetivo.

A mulher que se tornou maior do que a própria modalidade, saltando fronteiras do esqui para se tornar numa estrela universal, anunciou na semana passada que estava na hora de por um ponto final numa das histórias mais bem sucedidas de sempre no desporto.

A menina do Minnesota que chegou a rainha do esqui

Nascida há 34 anos em Saint Paul, cidade do gélido estado norte-americano do Minnesota, onde começou a esquiar com apenas dois anos por influência do pai - um ex-esquiador profissional, Alan Kildow -, Lindsey mudou-se com a mãe, aos 11 anos, para as montanhas de Vail, no Colorado, para se dedicar a sério ao esqui alpino.

A dedicação não demorou a dar resultados e, com apenas 16 anos, Lindsey Kildow (nome de batismo) participava na sua primeira prova da Taça do Mundo, em 2000, no Utah. Aos 17 anos, estreou-se nos Jogos Olímpicos de Inverno, em Salt Lake City 2002, obtendo um sexto lugar na prova de combinado.

Foi também em 2002, durante esses Jogos, que a esquiadora conheceu o homem que iria marcar a sua vida pessoal e profissional nos anos seguintes. Thomas Vonn, colega de Lindsey nessa equipa olímpica de esqui norte-americana, de quem ela ganhou o sobrenome num casamento em 2007. Além de companheiro, Thomas tornou-se também o grande mentor e treinador de Lindsey, contribuindo decisivamente para a ascensão da esquiadora até ao topo mundial.

Daí para a frente sucedeu-se uma evolução galopante até se tornar a mais popular princesa da neve, acumulando êxitos que, aliados à beleza e a uma figura esbelta, fizeram que o esqui alpino saltasse as fronteiras do seu universo próprio para começar a chegar a um público cada vez mais amplo.

Em 2008, Lindsey Vonn conquistava pela primeira vez a Taça do Mundo (a primeira americana desde Tamara McKinney em 1983), o que repetiu nos dois anos seguintes, iniciando aí uma história de sucesso que cavalgou bem para lá das pistas de esqui: em 2010, após um ouro e um bronze nos Jogos Olímpicos de Vancouver, foi estrela na edição anual da Sports Illustrated com poses sensuais em fato de banho; nesse mesmo ano, foi uma das cem mulheres mais sexy do planeta para a revista masculina Maxim.

Fora das pistas, Vonn foi ainda notícia pelo namoro com o golfista Tiger Woods, durante cerca de dois anos. Assinou contratos com diversas marcas como a Red Bull,Under Armour, Oakley, Rolex ou Head, tornando-se o grande ícone publicitário do esqui alpino, com receitas avaliadas em quase quatro milhões de euros anuais. A única estrela verdadeiramente planetária da modalidade.

Este domingo, depois de passar os últimos anos a lutar contra os limites do próprio corpo, a rainha do esqui alpino saiu de cena, com mais um pódio - e novo recorde: a primeira mulher a conseguir uma medalha em seis Mundiais diferentes. Hollywood, cujas festas se habituou já a frequentar, deve estender-lhe a passadeira vermelha.

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