Ligas Europeias reúnem-se na Luz para combater a Super Champions

Estádio do Benfica acolhe sexta-feira a assembleia geral da EPFL, com a discussão sobre o futuro das competições da UEFA em cima da mesa

Depois dos planos anunciados pela associação dos clubes mais poderosos da Europa (ECA) para a transformação da Liga dos Campeões numa Super Champions cada vez mais elitista, as Ligas Europeias (EPFL) preparam uma reação àquilo que consideram ser um ataque às competições nacionais e reúnem-se sexta-feira em Lisboa, numa assembleia-geral que terá lugar no Estádio da Luz, recinto do Benfica - que, curiosamente, é um dos cinco clubes portugueses com assento na ECA.

A maior preocupação das Ligas Europeias prende-se com o ventilado "ataque" da ECA, com o beneplácito da UEFA, às datas dos fins-de-semana. Até aqui território exclusivo das diversas competições nacionais, sábados e domingos poderiam passar a ser destinados aos jogos da nova Super Champions, de acordo com alegados planos dos principais clubes europeus revelados por alguns media internacionais - mas até aqui sempre negados pelo presidente da ECA, Andrea Agnelli.

"Jamais se falou em jogar ao fim de semana. Estamos no início de um debate, queremos melhorar as competições europeias para o ciclo que começa em 2024 e ainda é muito cedo para falar em detalhes ou tão pouco no formato da nova prova", referiu o também presidente da Juventus, no final da assembleia-geral da ECA, a 26 de março, que aprovou a ideia do projeto de uma Super Champions a apresentar à UEFA, da qual já terão obtido a recetividade para a reforma das competições europeias.

"Jamais se falou em jogar ao fim de semana. Estamos no início de um debate", Andrea Agnelli

O fantasma de um assalto aos fins de semana é, naturalmente, o tema mais sensível para a Associação das Ligas Europeias, que recusam a hipótese de verem os campeonatos nacionais atirados para o meio da semana para benefício de uma elite de clubes preocupada em aumentar as suas receitas televisivas. Sexta-feira, na Luz, os responsáveis das diversas Ligas - entre os quais o presidente da Liga Portugal, Pedro Proença - vão delinear o plano de ação para tentar travar esses planos de uma Super Champions que, nas palavras do presidente da EPFL, o sueco Lars-Christer Olsson, "é uma ameaça para os campeonatos nacionais".

No passado sábado, 30 de março, o presidente da Liga espanhola, Javier Tebas, escreveu no jornal El Mundo um duro artigo de opinião intitulado "A mentira catastrófica da UEFA e da ECA", no qual critica a "aliança" das duas entidades para criar uma maior "divisão entre ricos e pobres", com os planos de uma competição para a qual "só 32 terão entrada VIP".

"A Super Champions que planeia a coligação ECA-UEFA aponta a uma conspiração, com reuniões secretas, que deixam de o ser quando destapadas pela imprensa, e sem ter em conta as Ligas de toda a Europa, que são as representantes das competições e dos interesses coletivos dos clubes, os quais, em algumas ocasiões, não conincidem com os interesses individuais de alguns deles", escreve Tebas, um dos dirigentes com voz mais ativa contra os planos dos clubes de elite.

"Na ECA não há debate, há uma cozinha com acesso limitado a 12 ou 13 comensais que, quando terminam de comer, convidam o resto para tomar café. Aos olhos do mundo do futebol parece que o banquete foi celebrado por todos. Mentira", acrescentava o o presidente da Liga espanhola, alertando para os perigos que a reforma da Liga dos Campeões pode acarretar para o futebol europeu.

"Na ECA não há debate, há uma cozinha com acesso limitado a 12 ou 13 comensais que, quando terminam de comer, convidam o resto para tomar café", Javier Tebas

"Os campeonato nacionais são o motor desportivo e económico do futebol. Há centenas de clubes e milhares de jogadores a participar, com os seus salários e as suas famílias, milhares de postos de trabalho em redor... Alguma vez pensaram, nessa "cozinha", nos efeitos que esse banquete provocaria no futebol europeu? Não, nem querem pensar", escreveu Javier Tebas.

Também o porta-voz da Premier League inglesa, Nick Noble, em declarações ao New York Times, tratou já de avisar: "A Premier League é um êxito tanto ao nível dos horários como de assistências nos estádios. Não pensamos renunciar aos fins de semana para os nossos jogos." E o presidente executivo da Bundesliga, Christian Seifert, reforçou: "O fim de semana é o espaço do futebol em toda a Europa, é um espaço sagrado".

O jornal espanhol AS diz que as Ligas Europeias estão mesmo preparadas para lutar por isso nos tribunais, se for necessário. Um tema quente que reforça a importância da reunião de sexta-feira, na Luz.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG