Águia volta a voar baixinho e a crise já não dá para disfarçar

Apesar da derrota (2-1) com o Shakhtar, os encarnados podem sonhar em passar a eliminatória. Mas a exibição foi outra vez medíocre e a série de jogos sem vencer já vai em quatro jogos...

O Benfica entrou com o pé esquerdo nos 16 avos de final da Liga Europa, ao perder por 2-1 diante do Shakhtar Donetsk, equipa ucraniana treinada pelo português Luís Castro. Mais do que a derrota, até porque o resultado é curto e pode ser retificado na segunda mão na Luz, este foi o quarto jogo consecutivo dos encarnados sem vencer, o que não acontecia desde 2018, na era Rui Vitória. E novamente com uma exibição que deixou muito a desejar, com a equipa muitas vezes perdida em campo sem conseguir segurar a bola e raramente a criar lances de perigo.

Sinais de crise ou não (parece agora indisfarçável), a verdade é que este Benfica de Bruno Lage está diferente... para pior. Além das quatro partidas consecutivas sem vencer, a equipa sofreu golos pelo sexto jogo consecutivo, um sinal alarmante numa defesa que tem sido criticada, mas sem sofrer praticamente alterações - foram 11 golos contra nos últimos seis jogos. E nesta quinta-feira com um erro de Rúben Dias no segundo golos dos ucranianos.

Bruno Lage fez três alterações no onze relativamente ao jogo do fim de semana com o Sp. Braga. Com Weigl ausente por castigo, Florentino foi chamado à titularidade. Rafa e Vinícius ficaram no banco e Chiquinho e Seferovic foram opção de início para o ataque num esquema de 4X4X2. Na equipa ucraniana, Luís Castro apostou num 4X2X3X1, com Júnior Moraes como jogador mais adiantado.

Na verdade, o Benfica não jogou bem num 4X4X2, já que Chiquinho atuou muito encostado ao lado direito e Pizzi no centro, no apoio a Seferovic, um esquema que deixou o avançado suíço sempre muito solitário no ataque. O Shakhtar dominou praticamente a primeira parte, não se notando grandes quebras de ritmo na equipa apesar de o campeonato ucraniano estar parado desde meados de dezembro.

Os ucranianos foram melhores no primeiro tempo, sobretudo na primeira meia hora. E chegaram a marcar, aos 20', por Marlos, mas depois de recorrer ao VAR, o árbitro anulou o golo aos ucranianos por fora de jogo de Junior Moraes. O intervalo chegou com apenas dois remates do Benfica à baliza de Pyatov (nenhum enquadrado), contra seis do Shakhtar (três enquadrados), nuns 45 minutos em que o Benfica passou por grandes dificuldades.

Lage (estranhamente) não mudou nada ao intervalo. Logo no primeiro minuto do segundo tempo, o Shakhtar voltou criar perigo, através de um remate de Júnior Moraes, valendo mais uma vez a boa intervenção de Vlachodimos. E aos 50', Ismaily atirou ao poste. Não se notavam melhorias no Benfica, que não conseguia segurar a bola, nem construir lances de ataque. E por isso o golo dos ucranianos surgiu de forma natural, aos 56', por Alan Patrick, dando correspondência no marcador ao que se passava em campo.

Quase caído do céu, o Benfica chegou ao empate aos 67' minutos. O lance começou com um golo anulado pelo VAR a Tomás Tavares, por fora de jogo do defesa, mas na mesma jogada o vídeoárbitro vislumbrou um penálti sobre Cervi. Na conversão do castigo máximo, Pizzi igualou a partida. Logo de seguida, Bruno Lage tirou o inconsequente Seferovic e lançou em campo Vinícius.

Mas quando se pensava que o golo e a alteração feita por Lage podiam mexer na apatia geral do Benfica, o Shakhtar voltou a marcar, num lance que teve início num erro enorme de Rúben Dias, que aliviou mal uma bola e permitiu a Júnior Morais assistir Kovalenko para o golo. Rafa ainda entrou aos 79' para o lugar de Chiquinho, numa tentativa de trazer velocidade e criatividade ao jogo do Benfica. Mas sem resultados práticos.

Apesar da derrota, o resultado acaba por não ser assim tão penalizador (pode até dizer-se que é um prémio), pois o golo marcado fora permite ao Benfica passar a eliminatória em Lisboa se vencer por 1-0. Mas dentro de uma semana, na Luz, será preciso um Benfica muito melhor do que aquele que nesta quinta-feira jogou na Ucrânia, uma equipa que mostrou grandes fragilidades, algo que tem evidenciado nos últimos jogos. Será legítimo falar agora em crise? Parece indisfarçável...

VEJA OS GOLOS

FICHA DO JOGO

Jogo no Estádio do Metalist, em Kharkiv, na Ucrânia.

Shakhtar Donetsk-Benfica, 2-1.

Ao intervalo: 0-0.

Marcadores: 1-0, Alan Patrick, 56 minutos; 1-1, Pizzi, 67 (grande penalidade) e 2-1, Kovalenko, 72.

Shakhtar Donetsk: Pyatov, Bolbat, Kryvtsov, Matviyenko, Ismaily, Alan Patrick (Marcos Antônio, 80), Stepanenko, Marlos (Konoplyanka, 83), Kovalenko, Taison (Tetê, 90+4) e Júnior Moraes.

Treinador: Luís Castro.

Benfica: Vlachodimos, Tomás Tavares, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo, Florentino, Taarabt, Chiquinho (Rafa, 79), Cervi, Pizzi (Samaris, 90+2) e Seferovic (Vinícius, 69).

Treinador: Bruno Lage.

Árbitro: Bobby Madden (Escócia).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Florentino (90+5).

Assistência: Cerca de 20.000 espetadores.

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