Líder do futebol italiano admite acabar a época em julho ou agosto

Gabriele Gravina considera fundamental que a FIFA e a UEFA aceitem o prolongamento da temporada para além de 30 de junho, pois em causa está "a sobrevivência do futebol". E alerta que não terminar a temporada "seria devastador".

Gabriele Gravina, presidente da federação italiana de futebol (FIGC), está à espera de um parecer positivo da FIFA e da UEFA para que as competições se prolonguem além de 30 de junho.

"Devemos estar conscientes de que precisamos de 45 a 60 dias para definir nosso campeonato. Os meses de julho e agosto serão o período de referência para terminar as competições", disse numa conversa com o seu homólogo espanhol Luis Rubiales, revelada pelo jornal Marca.

Já em entrevista ao jornal AS, Gravina assume que o futebol só poderá regressar se todos os seus agentes estiverem "juntos", afinal, "todos eles vão sofrer perdas e é impensável que apenas uma entidade as suporte" nesta fase que a pandemia do coronavírus coloca o futebol europeu em dificuldade, quanto à conclusão dos campeonatos e, sobretudo, no que diz respeito às questões financeiras.

Nesse sentido, lembra que a situação de pandemia "continua crítica", razão pela qual vê com dificuldade o reinicio das competições no início de maio. "Seria se o conseguíssemos no meio ou no final de maio", assumiu, reafirmando que existe a possibilidade de os campeonatos se disputarem para lá de 30 de junho. "É uma opção que devemos levar em consideração se não houver datas disponíveis. Queremos terminar o que começamos, significaria ver a luz no fim do túnel desta emergência e oferecer a nossos países um impulso emocional para recuperar o significado de uma vida normal", frisou Gravina.

O líder da FIGC assume que esse prolongamento da temporada implicaria alguns ajustes nos contratos com jogadores e patrocinadores, por exemplo, que terminam a 30 de junho. "É preciso que posições concertadas da FIFA e da UEFA sejam aprovadas para adiar o início da época seguinte e isso só pode ser conseguido se todos concordarmos num um ponto: jogar ajudará a restaurar a ideia de que o futebol é o desporto mais seguido e amado do mundo e irá permitir-nos limitar os danos", sublinhou, admitindo que "não está descartada a possibilidade de fazer os jogos à porta fechada, sobretudo se as condições gerais melhorarem".

Gravina nem quer imaginar um cancelamento puro e simples de todas as competições, pois em sua opinião "seria devastador". "A FIGC apresentou um estudo ao governo italiano com a quantificação de danos. Por isso, esperamos medidas importantes, afinal dezenas de milhares de pessoas estão envolvidas na cadeia do futebol", explicou. E nesse sentido considera que deve haver um "espírito de solidariedade" também quanto à possibilidade de os futebolistas reduzirem os seus salários nestes tempos de crise. "Esta é uma emergência histórica, nunca experimentada desde a II Guerra Mundial e a realidade exige medidas que respondam ao objetivo principal: a sobrevivência do futebol", disse, mostrando-se esperançado numa "intervenção europeia" nesta matéria.

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