Benfica sem rumo deixa Munique com mais uma humilhação europeia

Os encarnados foram goleados (5-1) por um Bayern em crise. A equipa de Rui Vitória acumulou erros defensivos e o golo de Gedson foi um oásis no ataque. O adeus à Champions foi carimbado, segue-se a Liga Europa

O Benfica cai pelo segundo ano consecutivo na fase de grupos da Liga dos Campeões e, tal como na época passada, sofreu cinco golos num só jogo. Em 2017 foi o Basileia, agora foi frente a um Bayern Munique em crise, que passeou e vulgarizou a equipa de Rui Vitória na Allianz Arena, onde os bávaros chegaram ao intervalo a vencer por 3-0 e não fosse Vlachodimos até poderiam ser mais. No final, o resultado estabilizou nos 5-1, salvando-se o golo de Gedson Fernandes no início do segundo tempo.

Na antevisão a esta partida, Rui Vitória dizia que mais do que atacar muito queria que o Benfica atacasse bem. Mas o certo é que nem ataque, nem defesa... a sua equipa foi um autêntico zero na primeira parte, cedo se percebendo que a noite iria ser de muito sofrimento. É que as marcações aos avançados do Bayern foram uma autêntica trapalhada e a prova disso mesmo é que Arjen Robben marcou os dois primeiros golos na sequência de uma jogada que tem sido a sua imagem de marca ao longo de muitos anos, mas que para Grimaldo e companhia mais pareciam ser uma novidade no reportório do holandês. O holandês, de 34 anos, não marcava na Champions há duas épocas, e o Benfica estendeu-lhe a passadeira vermelha para bisar.

No Benfica salvava-se Vlachodimos, pois claro, que com duas defesas espetaculares na primeira parte evitou que a humilhação fosse maior. Do outro lado, Manuel Neuer era um espectador, que só era incomodado quando os jogadores encarnados chutavam a bola para a frente, à espera que Rafa aproveitasse através da sua velocidade, isto porque a equipa não conseguia ligar as jogadas através de um futebol apoiado à procura de abrir espaços da defesa alemã... isso sim seria atacar bem, mas este Benfica não conseguiu fazê-lo.

E vão 27 golos sofridos em 22 jogos

E se a atacar não existiu, a equipa de Rui Vitória mostrou em Munique como tem sido má a sua organização defensiva, como o provam os 27 golos sofridos nos 22 jogos que disputou em todas as competições - só na fase de grupos da Champions foram 11! E se Robben tinha bisado em lances que são típicos dele, o que dizer de Lewandowski, que no meio dos centrais cabeceou à vontade para o terceiro golo na sequência de um canto... o polaco repetiria a dose na segunda parte quando fez o 4-1, sem que fosse importunado.

Ao intervalo, o treinador do Benfica lançou Gedson Fernandes para o lugar do inexistente Pizzi. E logo no primeiro lance o jovem médio tabelou com Jonas e reduziu a desvantagem. Esta jogada era o exemplo daquilo que os encarnados deviam ter procurado fazer durante todo o jogo, afinal é assim que na Bundesliga os adversários têm evidenciado as debilidades defensivas do Bayern Munique.

Só que acabou por ser um oásis num imenso deserto de ideias que foi este Benfica, mostrando que a crise é muito mais profunda do que aquilo que tem mostrado os últimos seis jogos da temporada, dos quais apenas venceu dois, empatou um e perdeu quatro, sofrendo golos em todos eles num total de 14.

Após o golo de Gedson, esperava-se a equipa da Luz mostrasse outra face, até porque o Bayern não fazia uma exibição de encantar (muito longe disso) e até jogava a um ritmo relativamente baixo, embora aproveitasse a dinâmica imprimida no meio-campo por Kimmich, o virtuosismo de Robben e Ribéry e o instinto goleador de Lewandowski, que fez de cabeça o quarto golo outra vez na sequência de um canto, apenas cinco minutos depois de o Benfica ter marcado.

Uma defesa a ver Ribéry jogar

A desorientação encarnada continuava a ser evidente e, em muitos lances, a atrapalhação na área para cortar os lances de ataque dos alemães chegou a roçar o inadmissível. O quinto golo foi inacreditável pela forma como Ribéry trocou passes com David Alaba e apareceu liberto para finalizar, com os jogadores benfiquistas a observar.

Ainda faltavam cerca de 15 minutos para jogar e temia-se que a humilhação fosse ainda maior. Não foi, sobretudo porque os bávaros baixaram o ritmo do jogo, para economizar energias, afinal no sábado há um jogo por certo mais difícil em casa do Werder Bremen para a Bundesliga.

Quanto ao Benfica, Rui Vitória tem muito trabalho pela frente para recuperar os bons princípios de jogo que a equipa mostrou no início da época. É que só se o conseguir poderá manter-se na luta pelo título em Portugal e pensar numa boa carreira na Liga Europa, competição onde irá jogar em 2019.

A figura - Arjen Robben

Há dois meses que não marcava qualquer golo pelo Bayern, mas o extremo holandês de 34 anos aproveitou bem a passividade da defesa benfiquista para potenciar a jogada que o celebrizou no mundo do futebol: diagonais da direita para o meio e remate para o fundo da baliza. Fê-lo por duas vezes, de forma simples, começando bem cedo a construir mais um pesadelo do Benfica na Europa.

FICHA DO JOGO

Allianz Arena, em Munique
Árbitro: Daniele Orsato (Itália)

Bayern Munique: Manuel Neuer; Rafinha, Boateng, Süle, David Alaba; Kimmich, Goretzka; Robben (Renato Sanches, 72'), Thomas Müller (Wooyeong Jeong, 81'), Ribery (Sandro Wagner, 78'); Lewandowski
Treinador: Niko Kovac

Benfica: Vlachodimos; André Almeida, Germán Conti, Rúben Dias, Grimaldo; Fejsa (Alfa Semedo, 76', Gabriel, Pizzi (Gedson Fernandes, 46'); Rafa Silva, Jonas (Seferovic, 59'), Franco Cervi
Treinador: Rui Vitória

Cartão amarelo a Robben (24'), Ribéry (33'), Alfa Semedo (87')

Golos: 1-0, Robben (13'); 2-0, Robben (30'); 3-0, Lewandowski (36'); 3-1, Gedson Fernandes (46'); 4-1, Lewandowski (51'); 5-1, Ribéry (77')

FILME DO JOGO

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