João Vieira bateu recorde aos 43 anos. Sabe quem é o medalhado mais velho de sempre?

Não há idade limite para conquistar medalhas em Jogos Olímpicos ou Campeonatos do Mundo. No início do século passado, um atirador sueco tornou-se numa lenda. No atletismo, os genes portugueses parecem fazer a diferença, que o digam Carlos Lopes ou o lusodescendente Yohann Diniz.

"Nunca imponha um limite de idade aos seus sonhos." A frase é de Dara Torres, antiga nadadora norte-americana, que participou em cinco Jogos Olímpicos, nos quais conquistou 12 medalhas e tornou-se na primeira atleta da história da natação a competir numa Olimpíada com mais de 40 anos, em Pequim 2008. Aos 33 anos tinha conquistado cinco medalhas olímpicas, algo impensável na natação, uma modalidade em que a longevidade dos atletas é mais curta.

Mas na história do desporto há vários atletas a desafiar a ditadura do tempo, conseguindo sucesso em alturas da vida que muitos cientistas pensariam impensável. O maior símbolo é o sueco Oscar Swahn, o mais velho campeão olímpico de sempre, ao conquistar o ouro nos Jogos de Estocolmo em 1912 quando tinha 64 anos e 280 dias. E não se ficou por aqui, pois com 72 anos e 281 dias conquistou a prata nos Jogos de Antuérpia 1920.

As barbas longas e brancas são a imagem de marca de Swahn, um dos ícones históricos do tiro, modalidade que na altura não exigia uma preparação física como a atual, mas para a qual era necessário um alto grau de precisão e concentração. Em 1912 venceu o ouro na especialidade de tiro único ao veado em corrida; em 1920 conquistou a prata em dois tiros ao veado em corrida.

Swahn só não conseguiu bater novamente o recorde de longevidade numa Olimpíada porque uma doença tirou-lhe a possibilidade de competir nos Jogos de Paris, em 1924, três anos antes de morrer com 79 anos.

No setor feminino, a mais velha campeã olímpica de sempre foi a norte-americana Eliza Pollock, que no tiro com arco venceu a prova por equipas dos Jogos Olímpicos de Saint Louis, em 1904, com 63 anos e 333 dias. Nesses mesmos Jogos conquistou duas medalhas de bronze em provas individuais.

João Vieira e Carlos Lopes bateram recordes

As exigências dos tempos modernos, quando falamos em alta competição, não travaram este fenómeno e a mais recente prova disso é o português João Vieira, que se tornou no sábado o mais velho medalhado numa grande prova de atletismo, ao concluir os 50km marcha dos Campeonatos do Mundo de Doha no segundo lugar, conquistando assim a medalha de prata aos 43 anos.

O atleta algarvio conseguiu na sua 11.ª participação em Mundiais suplantar o anterior recordista, Troy Douglas, velocista das Bermudas que competindo pela Holanda conquistou a medalha de bronze nos Campeonatos do Mundo de 2003, em Paris, aos 40 anos e 274 dias, na estafeta 4x100 metros.

Os genes portugueses parecem ser propícios para a longevidade no atletismo. Yohann Diniz, francês neto de portugueses, sagrou-se campeão do mundo dos 50km marcha há dois anos, em Londres, quando tinha 39 anos. E Carlos Lopes conquistou a primeira medalha de ouro olímpica para Portugal aos 37, em Los Angeles (1984), estabelecendo o recorde de mais velho campeão olímpico da história da maratona.

Lopes acabaria por perder esse estatuto em 2008, quando a romena Constantina Dita Tomescu cortou a meta em primeiro lugar, nos Jogos de Pequim 2008, aos 38 anos. Este foi o seu maior feito, alcançado quando não aparecia no rol de favoritas. Quatro anos mais tarde, em Londres, tentou repetir o feito aos 42 anos, mas não conseguiu melhor que o 86.º lugar, a quase 20 minutos da vencedora, a etíope Tiki Gelana. Ainda assim, o mítico atleta português mantém-se como o mais velho a ganhar a maratona no setor masculino de uns Jogos Olímpicos.

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